Mesmo com queda, Brasil é o país que mais mata trans e travestis

País ocupa a posição há 17 anos. A maioria das vítimas são travesti e mulher trans, com idade média entre 18 e 35 anos, negras e pardas

atualizado

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O 9º Dossiê: Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras foi publicado, nesta segunda-feira (26/1), pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), com dados inéditos de 2025 sobre a violência contra este público no Brasil.

Segundo o documento, no ano passado, foram registrados 80 assassinatos. A região com o maior número de mortes foi o Nordeste, com 38 casos; seguido por Sudeste, com 17.

Ceará e Minas Gerais, com oito mortes cada, foram os estados com o maior índice.

A maioria das vítimas são travesti e mulher trans, com idade média entre 18 e 35 anos, das raças negra e parda.

Com relação ao dossiê da Antra divulgado no ano passado, com dados sobre 2024, houve queda de 34% na quantidade de mortes – já que, naquela ocasião, foram registrados 122 assassinatos.

Mesmo com a queda, o Brasil continua como o primeiro do mundo no índice – posição que ocupa há 17 anos, segundo dados do próprio governo federal.

Houve aumento, porém, no número de tentativas de homicídio. De acordo com a Antra, isso demonstra que “a redução numérica observada não corresponde a uma melhora substantiva do cenário de violência no Brasil”.

Em sua análise, o relatório menciona o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “mantém uma agenda sistemática de perseguição e criminalização da existência de pessoas trans” e cita, como exemplo, a alteração sem consentimento pelo consulado norte-americano dos marcadores de gênero nos documentos oficiais brasileiros das deputadas trans do país, Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSL-SP).

O fundo de financiamento milionário para entidades que desejam atuar juridicamente contra os direitos trans, da famosa escritora JK Rowling, também foi lembrado pela Antra. Acesse o dossiê completo aqui.

A associação produz os dossiês desde 2017.

“Trabalhamos com informações públicas, que foram compiladas por meio da divulgação de casos publicados na mídia que podem ser encontrados em diversos mecanismos de buscas. A pesquisa publicada pela Antra é acompanhada pelo comitê de ética da instituição e conta com a participação de pesquisadores e experts de diversas áreas, além das instituições que apoiam a publicação”, explica.

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