Quatro UFs se comprometem a zerar emissões de gases do efeito estufa

Pernambuco e Pará foram os mais recentes a assinarem o compromisso. Autoridades internacionais do clima cobraram ações efetivas dos governos

atualizado 04/08/2021 11:35

Evento campanha Race to Zero (Corrida para o Zero), que busca zerar as emissões de gases do efeito estufaHugo Barreto/Metrópoles

Quatro estados brasileiros aderiram à campanha Race to Zero (Corrida para o Zero), que busca zerar as emissões de gases do efeito estufa. Pernambuco e Pará foram os mais recentes a assinarem o compromisso.

Já faziam parte da lista Minas Gerais e São Paulo. Juntos, esses estados representam 33% das emissões brasileiras. Outros seis estados — Amazonas, Espirito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná — apresentaram planos que ainda serão analisados. Um comitê internacional avalia o compromisso.

Nesta quarta-feira (4/8), representantes dos governos estaduais, lideranças da campanha e representantes de empresas se reuniram em Brasília para discutir as metas e alternativas para atenuar mudanças climáticas.

O presidente da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), Alok Sharma, ressaltou que problemas ambientais como inundações da China e na Europa, incêndios em diversas partes do mundo e o derretimento de geleiras podem ficar ainda mais recorrentes, o que prejudica a humanidade.

“Estou pedindo que todos os países se juntem e façam ações para limitar isso. Temos que pedir todos os governos determinarem compromissos ambiciosos”, ressaltou.

Alok Sharma cobrou compromissos claros do governo para garantir o desenvolvimento sustentável. “Precisamos que nos digam como vão se adaptar às mudanças que já estão acontecendo. Os governos têm que se assegurar que tenham planos para garantir esses compromissos”, salientou.

O representante da COP 26 reafirmou a necessidade de países desenvolvidos e empresas multinacionais ajudarem financeiramente os países emergentes para conseguir alcançar o desenvolvimento sustentável.

“Existe a questão das finanças. Isso será vital para economias dos países em desenvolvimento investirem, por exemplo, em energia eólica e solar. Toda a sociedade precisa ter essa abordagem. O crescimento verde é possível”, finalizou.

Esse é o primeiro evento que Alok Sharma participa no Brasil. A COP 26 está prevista para ocorrer entre outubro e novembro de 2021, na Escócia.

Após o encontro, Alok Sharma terá uma reunião com representantes do governo federal. Está prevista a participação dos ministros do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e do vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB).

Metas até 2050

Em 2020, a campanha global Race to Zero foi lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para engajar as lideranças de países, cidades, empresas, e investidores para zerar as emissões liquidas de gases de efeito estufa até 2050.

O embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson, destacou a importância de estados e empresas se comprometerem com as emissões zero e como elas geram oportunidades.

“A possibilidade de zerar as emissões é real e isso é essencial para evitar o aquecimento global em 1,5 grau. Esse compromisso mostra como podemos atingir esse compromisso global”, destacou.

Campeão de Alto Nível para Ação Climática da COP sobre mudança climática, Gonzalo Munoz, ressaltou a necessidade reduzir as emissões de forma rápida e justa.

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“Nosso maior risco é a inércia. É a postura de que outros façam o seu trabalho”, frisou. Ele cobrou comprometimento governamental e empresarial para o cumprimento da meta. “Vamos. Temos que nos unir agora.”

A campanha

O Race to Zero é uma campanha global para reunir lideranças com objetivo de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, o que deverá limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau.

A meta, segundo a campanha, será alcançada por meio da intensificação de ações de descarbonização, da atração de investimentos para negócios sustentáveis e para a criação de empregos verdes.

Dessa maneira, será possível viabilizar um cenário de desenvolvimento socioeconômico inclusivo e sustentável. Atualmente, cerca de 32 diferentes regiões no mundo participam da iniciativa.

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