Denúncia e ajuda: o que Greta e Macron disseram sobre a Austrália

Presidente Jair Bolsonaro e aliados têm atacado o francês e a sueca por supostamente ignorarem crise dos incêndios no país da Oceania

atualizado 06/01/2020 20:06

Gov Victoria City

Muito cobrados por personalidades da direita brasileira – incluindo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) — por uma suposta preocupação seletiva com o meio ambiente, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a ativista sueca Greta Thunberg têm, sim, se manifestado sobre a crise dos incêndios florestais na Austrália.

Macron, que enfrenta uma grave crise política em casa, só tocou no assunto do fogo no último domingo (05/01/2020), mas a adolescente, que ficou famosa ao liderar uma greve mundial para frear o aquecimento do planeta, tem chamado a atenção para o país da Oceania desde o meio de dezembro do ano passado.

Macron usou o Twitter para falar da Austrália. Na postagem, feita em francês e repetida em inglês, o perfil do presidente francês oferece “solidariedade ao povo australiano em face dos incêndios florestais que estão atingindo o país”. O texto afirma, ainda, que Macron ligou para o primeiro ministro australiano, Scott Morrison, para “oferecer imediato apoio operacional para combater o fogo, proteger a população afetada e preservar a biodiversidade”.

O governo francês não informou, porém, como se dará essa ajuda imediata. Veja a postagem original:

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Ao noticiar a mensagem de Macron, o jornal francês Le Monde, um dos mais importantes do país europeu, lembrou que o presidente brasileiro e seu chefe de governo (o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni) haviam “fustigado o silêncio” do francês.

Na mesma rede social, o primeiro-ministro australiano agradeceu a oferta de Macron.

Cobranças poliglotas
Em uma série de postagens em inglês, francês e português, o ministro chefe da Casa Civil brasileira havia cobrado o presidente francês e a ativista sueca pela suposta falta de atenção aos incêndios. “Aqui no Brasil temos dificuldade em compreender o silêncio de Emmanuel Macron”, escreveu Onyx no último dia 2 de janeiro. “Verdadeira preocupação com o meio ambiente ou ideologia socialista?”, questionou ainda, no post em francês. Veja:

Sobre Greta, Onyx tuitou, no dia 3 de janeiro: “Todos estão se perguntando onde está aquela garotinha que tem sido usada como fantoche por militantes de questões ambientais”.

Apesar das críticas, os primeiros posts de Greta nas redes sociais sobre o fogo na Austrália aparecem ainda no dia 14 de dezembro do ano passado, quando se encerrava o encontro anual da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP-25, onde a ativista esteve.

No dia 22 de dezembro, a sueca questionou “como é possível?” que nem “catástrofes como essa pareçam motivar ações políticas”, referindo-se aos incêndios no país da Oceania. “Por que ainda falhamos em fazer a conexão entre a crise do clima e o aumento de eventos extremos e desastres naturais. Isso é o que tem que mudar”, escreveu ela, em inglês. Veja o post.

Muito ativa nas redes sociais, do último sábado (04/01/2020) até a noite de segunda-feira (06/01/2020), Greta tuitou ou retuitou ao menos seis postagens sobre a Austrália em sua conta no Twitter.

Combate ao fogo
Historicamente flagelada pelos incêndios florestais, a Austrália enfrenta uma temporada catastrófica de fogos desde setembro do ano passado. Na segunda, o governo do país enviou três mil reservistas do Exército para ajudar a combater o fogo e anunciou um fundo de US$ 1,4 bilhão para ajudar as áreas afetadas.

Os bombeiros australianos têm combatido o fogo com a ajuda de colegas dos Estados Unidos e do Canadá.

Desde setembro, os incêndios já atingiram uma área de 8 milhões de hectares, o que corresponde a todo o tamanho da Irlanda. Pelo menos 24 pessoas e meio milhão de animais já morreram devido a essa temporada de incêndios.

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