Da praia ao mangue: Beach Park aposta em futuro sustentável

Durante o mês de setembro, parque realizou ações voltadas para a conscientização ambiental

Beach Park/DivulgaçãoBeach Park/Divulgação

atualizado 01/10/2019 17:20

Fortaleza – Preocupação global no ano de 2019 e tema central de discussões na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada neste mês em Nova York (EUA), o desenvolvimento de políticas sustentáveis é assunto levado a sério entre os mais de 2,3 mil funcionários que compõem o Beach Park. Localizado no litoral do Nordeste, em Aquiraz (CE), o complexo se antecipou aos debates e iniciou, ainda em 2011, a promoção de ações ambientais.

Prova disso é que o empreendimento conseguiu reunir, só no último sábado (28/09/2019), cerca de mil voluntários dispostos a participar da limpeza da praia de Porto das Dunas (CE), situada às margens dos hotéis do Beach Park. De estudantes, moradores da região e hóspedes a mergulhadores e pescadores, o mutirão retirou dos arredores, areias e mar, ao todo, 35,3 toneladas de lixo.

A ação integrou cronograma de atividades voltadas para o combate ao descarte inadequado de resíduos realizadas durante todo mês de setembro. Entre as ações desenvolvidas, o empreendimento foi responsável também pelo plantio de 15 mil mudas em área de manguezal do Rio Pacoti. O afluente, que deságua nos mares de Aquiraz (CE), é um dos maiores da região metropolitana de Fortaleza (CE) com quase 150 km de extensão, mas tem sofrido com o lixo.

Ao Metrópoles, o CEO do Beach Park, Murilo Pascoal, disse que a preocupação com o sustentável é pauta recorrente nos encontros da direção do complexo. “É um problema mundial, uma missão para o mundo todo. Não adianta nada eu ter um parque lindo se os arredores não estão bem cuidados. A gente realiza essas atividades há 8 anos e a cada ano fomos evoluindo”, explicou.

Pascoal reitera que as ações não estão restritas ao mês. O parque aquático já aboliu o uso de canudos plásticos e tenta reduzir o consumo do material entre os usuários, além de incentivar seu descarte adequado. O diretor estima que, de todo o lixo produzido, 83% seja reciclado pelo centro de triagem do empreendimento.

Reciclagem

Não há uma tampinha de garrafa que escape aos olhos atentos de Francisca Rodrigues da Silva. Aos 37 anos, a ex-catadora foi uma das contratadas pelo Beach Park para realizar a triagem do lixo produzido pelos usuários. Antes de trabalhar no local, também tinha a coleta e separação dos resíduos como forma de subsistência.

“Eu trabalhava no lixão. Deixava minha casa, perto dali, por volta das 17h. O lixo só era liberado no fim do dia e eu passava a noite todinha catando. Só ia terminar de manhã. Ganhava pelo peso, de tudo que conseguia juntar”

Francisca divide o espaço e o trabalho com Francisco José Queiroz da Silva, que conhece desde o tempo em que “disputavam ponto” no lixão. Chiquinho, como é conhecido, também tinha o trabalho como sua única fonte de renda: “Eu catava [lixo] para poder sobreviver. Nunca me liguei em estudo, queria ajudar na casa, fazendo o que dava. Era muita correria, muito sacrifício. Não podíamos ficar no lixão, a gente corria risco de vida. Mas eu não tinha o que fazer. Não tenho estudo e onde que alguém arruma trabalho sem estudo nesse mundo?”.

Victor Fuzeira/Metrópoles

A dupla trabalhou por 15 anos no local. Hoje assalariados, os dois são responsáveis por toda a separação do material descartado nos hotéis e parque. À reportagem, o casal disse que o salto de vida foi grande desde suas contratações, mas, apesar da melhoria na vida pessoal, Francisca se recusa a esquecer aqueles que sempre lhe acompanharam no trabalho exaustivo como catadora. “Meu sonho é tirar o pessoal de lá [do lixão]. Não é vida aqui não, mas é melhor do que estar roubando, matando. Mesmo assim as pessoas não valorizam, te humilham”, lamentou

*O repórter viajou a convite do Beach Park

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