Amazônia: Brasil não aceitará “relativização da soberania”, diz Araújo

Ministro das Relações Exteriores reclamou de declarações do presidente francês sobre possibilidade de "status internacional" para a região

atualizado 26/08/2019 19:59

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Autoridades brasileiras estão reagindo com indignação à fala do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a possibilidade de discussão de um “status internacional” para a Amazônia. Macron, que tem discutido abertamente com o presidente Jair Bolsonaro, disse no encerramento da cúpula do G7 nesta segunda-feira (25/08/2019) que a internacionalização da gestão da floresta “é um caminho que permanece aberto e continuará a florescer nos próximos meses e anos. (…) A questão é tal no plano climático que não podemos dizer ‘este é um problema só meu’. É o mesmo para aqueles que têm espaços glaciais em seu território ou que impactam o mundo inteiro”.

Pelo Twitter, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, avisou que o Brasil “não aceitará nenhuma iniciativa que implique relativizar a soberania sobre o seu território, qualquer que seja o pretexto e qualquer que seja a roupagem”. “Ninguém precisa de uma nova ‘Iniciativa para a Amazônia’, como sugere o Presidente Macron quando já existem no âmbito da Convenção do Clima da ONU vários mecanismos para financiar o combate ao desmatamento e o reflorestamento”, disse ainda o chanceler.

“Sobre a Amazônia brasileira fala o Brasil”, adicionou, em conversa com jornalistas, o porta-voz da presidência, general Otávio do Rêgo Barros, sobre a fala do presidente francês. Rêgo Barros deixou claro, na noite desta segunda-feira (26/08/2019), que o Brasil é frontalmente contrário à ideia de um “status internacional” da Amazônia.

“Falam as Forças Armadas, e, mais do que as Forças Armadas, a sociedade, que são as Forças Armadas não fardadas”, declarou, depois de uma reunião do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com ministros no Ministério da Defesa.

Apesar do discurso agressivo de autoridades, o governo deverá aceitar os 20 milhões de euros que os representantes do G7 decidiram enviar para ajudar a combater as queimadas na Amazônia.

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