Megaoperação no RJ: juiz disse que crime não cessa “por encanto”

Decisão que embasou megaoperação do Rio de Janeiro aponta para a necessidade de prisão, visto risco de alvos voltarem a cometer crimes

atualizado

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Fabiano Rocha / Agência O Globo
Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Polícia / Mega-operação - Mega-Operação Policial nos Complexos do Alemão e Penha. Na foto: movimentação policial na Vila Cruzeiro
1 de 1 Rio de Janeiro (RJ), 28/10/2025 - Polícia / Mega-operação - Mega-Operação Policial nos Complexos do Alemão e Penha. Na foto: movimentação policial na Vila Cruzeiro - Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A decisão da Justiça do Rio de Janeiro que embasou a megaoperação na zona norte da capital, deflagrada na terça-feira (28/10), cita passagens criminais anteriores dos suspeitos e aponta que as prisões eram válidas tendo em vista que seria “pueril” imaginar que sua vida criminosa “cessará como que por encanto”.

“Ora, é pueril imaginar que uma vida criminosa, como resta indiciado ser a dos acusados acima mencionados, cessará como que por encanto. Não é isso que a realidade demonstra”, afirmou o juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço, da 42ª Vara Criminal da Capital, ao decretar a prisão preventiva de dezenas de investigados.

A decisão foi uma resposta a pedidos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, vinculada ao estado fluminense, que conduziu o caso. Ao todo, o balanço da operação contabiliza 113 presos, dentre os quais 33 de outros estados.

No documento, o magistrado discorre sobre o perigo de deixar alguns dos suspeitos em liberdade, pré-requisito necessário para que haja uma decretação de prisão preventiva. Para isso, ele cita a necessidade da “garantia da ordem pública”, bem como de se  “acautelar o meio social” em decorrência da possibilidade do cometimento de novos crimes.

Tais fatores, segundo o juiz, estão presentes no caso examinado, que demonstra um “modus operandi” de suas condutas delitivas.

Segundo o magistrado, quase todos os suspeitos têm um histórico de infrações por delitos diversos. Para ele, isso denota, a princípio, “personalidades voltadas à violação da ordem jurídica e […] deixam revelar que o crime consubstancia verdadeiramente seus meios de subsistência” – razão pela qual suas prisões seriam “imperativas” para a garantia da ordem pública.

“Com efeito, o risco de reiteração (no caso, mais precisamente, de persistência) delitiva é óbvio e inegável, e não fruto de mera especulação ou afirmações genéricas, máxime quando se observa que a conduta atribuída aos denunciados se protrai no tempo, encontrando-se a mesma em plena atividade”, ressalta.

O juiz também pontua que alguns dos suspeitos, embora não tenham precedentes criminais ou possuam condições pessoais favoráveis, isso por si só não garante seu direito à liberdade, uma vez que há razões que recomendam sua segregação social, por meio das investigações.

Com relação a essas pessoas, o magistrado afirma que nos autos estão presentes indícios, como fotos dos referidos suspeitos em pontos de vendas de droga e portando armas de grosso calibre, que justificam suas prisões preventiva, uma vez que evidenciam “que suas liberdades colocariam em risco à ordem pública, ante a habitualidade e persistência da conduta perpetrada”.

Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro.

Megaoperação no RJ

A Operação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares, com o objetivo de conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir cerca de 100 mandados de prisão.

O número de mortos, que subiu para 121, foi atualizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira (30). A revisão foi feita após novos registros de entrada de corpos no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro da cidade.

Os dados consolidam a operação como a mais letal da história do estado.

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