Master repassou R$ 39 milhões a fundos de Previdência investigados pela PF

Banco declarou o pagamento no Imposto de Renda de 2025 para o Rioprevidência e a Previdência do Amapá, alvos da Polícia Federal

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de sede do Banco Master - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, declarou ter repassado a R$ 39 milhões em 2025 a fundos de Previdência que são investigados pela Polícia Federal (PF), de acordo com a declaração de Imposto de Renda (IR) da instituição.

A Amapá Previdência (Amprev), recebeu R$ 33,8 milhões da instituição em 2025. Já o Rioprevidência teve o repasse de R$ 6 milhões feitos pelo Master no mesmo ano.

Os dados obtidos pelo Metrópoles constam nos relatórios da Receita Federal, enviados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado.

As duas empresas são investigadas pela Polícia Federal (PF) por causa das relações que tiveram com o Master quando o banco já tinha indícios de crise.

Caso Amprev teve aviso ignorado por cúpula

A Amprev foi alvo da Operação Zona Cinzenta, da Polícia Federal (PF), em fevereiro, por possíveis irregularidades na compra de aportes do banco, orçados em R$ 430 milhões. A PF apura suspeitas de irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado (RPPS/AP), com foco nas aplicações em Letras Financeiras.

A investigação mira nos possíveis crimes da cúpula da Amprev, por indícios de que os aportes podem ter sido feitos sem respaldo técnico adequado e em desacordo com a política de investimentos do fundo previdenciário.

Logo depois da operação da PF, o então diretor-presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, pediu exoneração do cargo. Ele havia sido indicado ao cargo com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alberto Alcolumbre, irmão do senador, faz parte do Conselho Fiscal da autarquia. O presidente do Senado e seu irmão não são investigados no caso.

Atualmente, Nair Mota Dias é a diretora-presidente da Amprev. Ela é servidora efetiva da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e bacharel em Ciências Contábeis.

A coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, noticiou que Jocildo Lemos ignorou alertas em aportes no Master. Atas de reuniões do Comitê de Investimentos mostram que dois conselheiros representantes de servidores do Ministério Público e do Judiciário estaduais se posicionaram contra os aportes.

Eles chamaram atenção para apurações conduzidas por órgãos de controle sobre operações envolvendo o Banco Master, risco reputacional previsto na política de investimentos da Amprev e concentração excessiva de recursos em papéis do mesmo banco.

Apesar disso, Jocildo Lemos minimizou os alertas, classificando as informações como “conversas de mercado” e sustentando que não existiam procedimentos formais capazes de desaconselhar as aplicações.

A proposta de enviar ofícios ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Caixa Econômica Federal para esclarecimentos foi rejeitada. Em seu lugar, Lemos defendeu uma visita institucional ao Banco Master, sem solicitação de documentos ou pareceres técnicos, apenas para “conhecer a instituição”.

Como resultado das decisões, a Amprev passou a deter aproximadamente R$ 430 milhões em Letras Financeiras do Master, cerca de 4,7% de todo o patrimônio do fundo. Os títulos possuem prazo longo de vencimento e não contam com proteção do FGC, o que amplia o risco de perdas.

Rioprevidência fez investimento de R$ 2,6 bilhões no Master

Já em relação ao Rioprevidência, segundo a Polícia Federal, houve um investimento de R$ 2,6 bilhões em títulos de alto risco do Master entre 2023 e 2025, sem aval técnico adequado, o que culminou na prisão de ex-dirigentes. Os recursos dos servidores do estado do Rio seguem retidos desde a liquidação do Master.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também abriu outra investigação envolvendo o Rioprevidência, nesta semana, sobre empréstimos consignados e investimentos de mais de R$ 100 milhões a instituições financeiras não credenciadas.

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A Amprev também foi alvo de operação da PF em fevereiro deste ano
Fundos previdenciários são alvos de investigação da PF
PF fez operação contra diretores do Rioprevidência e investiga irregularidades
Na imagem, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master
Dono do Banco Master, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da PF, em Brasília
Rioprevidência recebeu R$ 6 milhões do Master, de acordo com o IR do banco
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Rioprevidência recebeu R$ 6 milhões do Master, de acordo com o IR do banco

Governo do Rio de Janeiro/Divulgação
A Amprev também foi alvo de operação da PF em fevereiro deste ano
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A Amprev também foi alvo de operação da PF em fevereiro deste ano

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Fundos previdenciários são alvos de investigação da PF
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PF fez operação contra diretores do Rioprevidência e investiga irregularidades
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PF fez operação contra diretores do Rioprevidência e investiga irregularidades

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Na imagem, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master
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Na imagem, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master

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Dono do Banco Master, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da PF, em Brasília
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Dono do Banco Master, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da PF, em Brasília

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O fundo deverá encaminhar ao órgão estudos técnicos, atas de reuniões e procedimentos administrativos que embasaram as aplicações em instituições financeiras não credenciadas.


Relembre o caso Master

  • A liquidação do banco Master foi declarada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 por “grave crise de liquidez”.
  • A primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso das fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB, foi realizada no mesmo dia.
  • Antes disso, em 3 de setembro, o BC havia barrado a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) pelas suspeitas de irregularidades.
  • Na primeira fase da operação da PF, em novembro, Daniel Vorcaro foi preso e liberado com tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, o banqueiro foi preso novamente na terceira fase da operação.
  • Preso em Brasília, Vorcaro agora tenta um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).

Outro lado

Em nota enviada ao Metrópoles, o Rioprevidência disse que não avalia declarações de IR que sejam de outras empresas.

“Em relação a declarações de Imposto de Renda de instituições que não estejam sob a gestão desta autarquia, o Rioprevidência esclarece que não possui competência legal para avaliá-las, sendo tal atribuição de responsabilidade da Receita Federal do Brasil”, declarou.

A Amprev também foi procurada, mas até o fechamento desta reportagem não se manifestou. O espaço segue aberto.

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