Caso Master: o que esperar e os próximos passos com Mendonça na relatoria
André Mendonça, do STF, deve liberar a atuação da Polícia Federal e evitar rever decisões do ministro Dias Toffoli
atualizado
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Sorteado como novo relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça deve adotar uma postura “linha dura”, e não colocará limitações nas investigações da Polícia Federal (PF).
Mendonça passa a conduzir o processo após o ministro Dias Toffoli anunciar que deixaria a relatoria do caso, na noite de quinta-feira (12/2).
Como relator, Mendonça terá poder para rever decisões de Toffoli, que foram alvo de críticas. No entanto, a avaliação de interlocutores é de que ele não deve fazer isso, para evitar a ideia de que o STF recuou após pressão pública.
Como um primeiro ato já na relatoria, Mendonça marcou reunião com delegados da Polícia Federal que atuam no caso e vai ainda definir as diretrizes de atuação.
Mendonça assumiu a cadeira no STF em dezembro de 2021, após ser indicado por Jair Bolsonaro (PL). Desde então, a atuação dele na Corte é vista por analistas como “técnica” e “independente”. O ministro também está a frente das apurações que tratam das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Saída de Toffoli da relatoria
- Dias Toffoli anunciou a saída da relatoria do caso Master no STF, na noite dessa quinta-feira (12/2).
- A decisão foi tomada após reunião com os 10 ministros para discutir relatório da Polícia Federal (PF).
- Documento da PF cita mensagens encontradas em aparelhos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com menções a Toffoli.
- O material é sigiloso e menciona negociações sobre um resort no Paraná ligado ao caso, o Tayayá.
- Toffoli admitiu ser sócio do resort, mas negou relação com Vorcaro e familiares.
- A decisão foi comunicada em nota assinada pelos 10 ministros, na qual disseram que, “considerados os altos interesses institucionais”, ficou acolhida a comunicação de Toffoli para deixar o caso.
- A presidência do STF adotou providências processuais para extinguir a arguição de suspeição aberta após envio de relatório da PF.
Uma das decisões que Mendonça pode tomar é declinar o caso à primeira instância. A investigação do Master chegou ao STF após a PF apreender um contrato imobiliário que cita o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
Como o parlamentar tem foro de prerrogativa, a defesa de Daniel Vorcaro pediu que o caso subisse ao STF. Ao assumir a relatoria, Toffoli determinou que toda a investigação do Master fosse repassada ao Supremo, medida que recebeu críticas, já que Bacelar não era central dentro do caso. O magistrado também determinou sigilo no processo.
O deputado do PL participou da criação de um fundo para construir um condomínio em Trancoso, e o presidente do Master, Daniel Vorcaro, manifestou interesse em integrar o projeto — o que acabou não indo adiante.
Conforme a pressão sobre Toffoli aumentou nos últimos meses, interlocutores sugeriram que ele devolvesse o caso para a primeira instância, mas o ministro resistiu. Com o relatório
Agora na relatoria, Mendonça deve ter um comportamento semelhante. Isso porque o avanço da investigação aponta que mais pessoas com foro tenham ligação com o Master, o que faria o caso ter que retornar ao STF no futuro.
Liquidação do Banco Master
- 18 de novembro de 2025: Banco Central decretou a liquidação extrajudicial das instituições do grupo Master: Banco Master S/A; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A.; Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; e Banco Master Múltiplo S.A.
- 15 de janeiro de 2026: BC liquidou a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
- 22 de janeiro de 2026: BC decretou a liquidação da Will Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento, popularmente conhecida como Will Bank.
Encontro com a PF
Na reunião que Mendonça convocou com delegados da Polícia Federal, na tarde desta sexta-feira (13/2), ele vai tratar do que foi feito até agora, receber informações sobre oitivas e acariações já realizadas. A partir daí, conversará com sua equipe a fim de definir os próximos passos.
O Metrópoles noticiou na coluna do Igor Gadelha, que a cúpula da Polícia Federal viu com bons olhos a definição de Mendonça como relator. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse a interlocutores ter “ótima” relação com Mendonça, apesar de o ministro ter sido indicado ao STF por Jair Bolsonaro.










