Master: delação de Vorcaro demora mais do que o esperado e preocupa PF
Banqueiro ainda não entregou todos os elementos para a defesa finalizar o acordo de colaboração. Demora pode beneficiar outro delator
atualizado
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Mais de um mês após a assinatura do termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República, a delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não tramita conforme o esperado.
A defesa do banqueiro pretendia formalizar o acordo com as autoridades em abril, mas não conseguiu concluir as conversas com Vorcaro para apresentar as informações necessárias para a investigação.
O Metrópoles apurou que o empresário ainda não revelou todos os dados sobre o destino do dinheiro supostamente desviado na fraude financeira nem como teria gasto parte dos valores — e quem seriam os possíveis laranjas no esquema criminoso.
A Polícia Federal também carece de nomes de todas as autoridades supostamente envolvidas com o Master, que estariam nos três Poderes da República.
Corrida pela delação
A demora na colaboração de Vorcaro pode beneficiar outra peça importante na investigação: o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
Em 28 de abril, ele encaminhou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o interesse em firmar um acordo de delação premiada no caso e o pedido de transferência do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para acelerar as conversas com os advogados responsáveis.
O executivo foi preso acusado de receber R$ 146 milhões de propina para favorecer interesses do Banco Master em negócios com o BRB.
Não há determinação em lei sobre o prazo para que os anexos sejam formalizados a partir da largada das conversas. No entanto, para aceitar a delação, os investigadores exigem informações inéditas e nomes de pessoas que estariam no topo do esquema criminoso.
A colaboração de Paulo Henrique Costa pode esvaziar o processo do dono do Master, que teria de apresentar outros dados para a Polícia Federal e para a PGR.
Segundo a lei, os delatores devem entregar provas substanciais das declarações, como documentos, vídeos, fotos, gravações e outros materiais que possam corroborar as declarações dele.
Esta é a primeira vez no país que as duas instituições vão dividir uma colaboração. Entenda o passo a passo da delação aqui.
A PF e a PGR querem garantir acordos de delação premiada “sem poupar ninguém”. Os investigadores deixaram claro que não haveria espaço para “colaboração seletiva” com o objetivo de “salvar algumas figuras”.
Com a delação, é possível ter redução de pena em até dois terços — ou mesmo receber o perdão das autoridades.
Caso Master
- O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025 por insolvência financeira e graves violações às normas do sistema financeiro nacional
- Também em novembro, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero
- A investigação aponta que o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro
- Daniel Vorcaro foi preso em novembro, foi solto e voltou a ser preso em março
- Vorcaro também é suspeito de liderar uma “milícia pessoal” para intimidar e coagir adversários e agentes públicos
Grande volume
A Polícia Federal não descarta novas fases da Operação Compliance Zero. Entre os investigadores do caso, há o consenso de que há ainda “muita coisa” por trás do esquema do Banco Master a ser descoberta.
A quantidade de elementos probatórios é um desafio. Até o momento, a força-tarefa não conseguiu concluir a perícia dos oito celulares e de outros aparelhos eletrônicos de Daniel Vorcaro.
Em 18 de março, o ministro André Mendonça prorrogou a investigação por mais 60 dias. Agora, faltando menos da metade do prazo, os investigadores trouxeram novos elementos e podem pedir mais tempo para finalizar a apuração.
O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
Nessa etapa, a PF identificou que ele também liderava uma “milícia pessoal” para intimidar e coagir adversários e agentes públicos.
Depois de passar pela Penitenciária Federal de Brasília, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da PF, onde está alojado sozinho em uma cela comum.
Na última fase da operação, em 16 de abril, Paulo Henrique Costa foi preso. A investigação indica que o executivo teria desrespeitado práticas de governança e autorizado operações sem garantia. Em troca, teria recebido imóveis de Vorcaro.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa de Vorcaro para questionar sobre o acordo de delação, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto.








