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Ex-presidente do BRB pediu estratégia para liquidação do Master 50 dias antes da decisão do BC
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa pediu ao então diretor jurídico do banco, Jacques Veloso, definição de estratégias
atualizado
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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa sabia do risco da liquidação do Banco Master 50 dias antes da decisão do Banco Central. Naquele momento, o BRB já havia adquirido as carteiras de crédito podres do Master e tinha recebido a negativa para adquirir a própria instituição financeira.
Em mensagem inédita obtida pelo Metrópoles, Costa disse ao então diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso: “Jacques, precisamos definir as estratégias jurídicas para o cenário de liquidação do Master”.
A conversa ocorreu no fim da tarde de 29 de setembro de 2025 – 50 dias antes da liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. No início daquele mês de setembro, o BC anunciou que rejeitou a compra do Master pelo BRB.
As investigações dos órgãos de controle já estavam em curso. No mesmo dia em que o BC decretou a liquidação do Master, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero. Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo e alvo de busca e apreensão.
Cinco meses depois, em 17 de abril de 2026, o ex-presidente do BRB foi preso após a PF apontar que ele receberia propina por meio de imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões para atuar a favor do Master.
Jacques disse à reportagem, por meio da assessoria de imprensa, que, “diante da solicitação, foi realizada reunião técnica com apoio de advogado especializado para avaliar cenários e medidas em caso de eventual liquidação do Banco Master”.
“Na ocasião, o ex-presidente do BRB requereu ao jurídico informações sobre as alternativas legais disponíveis. Com a decretação da liquidação, foi contratado escritório especializado e instituído grupo de trabalho interno dedicado ao tema. Também foram ajuizadas medidas judiciais visando resguardar os interesses do BRB”, declarou o ex-diretor jurídico do BRB.
