Master: após rejeição da delação, entenda o que acontece com Vorcaro
PF rejeitou a proposta da defesa, mas PGR segue na análise dos anexos entregues pelo banqueiro. Colaboração tem impasses
atualizado
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Com a rejeição da Polícia Federal para a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a defesa do banqueiro se apega à possibilidade de aceitação pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os advogados do empresário seguem em negociação com o órgão na análise dos anexos da colaboração.
Nessa triagem, a acusação deve levantar o quanto e como o réu poderá provar as confissões e se o caso ainda depende de diligência, além de confrontar a oferta com o que existe nos autos.
A recusa da PF foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), nessa quinta-feira (20/5).
Apesar disso, a negativa não extingue a possibilidade de a colaboração ainda ocorrer.
Como a PGR é titular da ação penal e tem a responsabilidade constitucional de oferecer denúncia contra investigados suspeitos em uma investigação, isso significa que a proposta de colaboração segue em análise.
Caso Vorcaro também tenha o acordo rejeitado pela Procuradoria, a defesa ainda pode apresentar outras propostas para o órgão e para a PF.
A demora, no entanto, é um ponto negativo para o banqueiro. Conforme as investigações avançam, surgem novos elementos probatórios. Assim, Vorcaro perde a chance de apresentar informações inéditas para o inquérito.
A Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro, está na sétima fase e continua em andamento. Na etapa mais recente, na semana passada, o pai do dono do Master, Henrique Vorcaro, foi preso por suspeita de ocultar o patrimônio do filho.
O acordo de delação também tem outros entraves, como o compromisso de ressarcimento bilionário pela fraude financeira, a extensão da pena para o banqueiro e a lista completa dos envolvidos no esquema criminoso.
Insuficiente
A PF negou a proposta de Daniel Vorcaro por considerá-la “frágil” e “insuficiente”.
Segundo os investigadores, a colaboração apresentada continha omissões relevantes e tentativas de preservar figuras influentes de Brasília, supostamente envolvidas nas fraudes financeiras investigadas, entre elas o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A PF já havia alertado a defesa do banqueiro de que as declarações apresentadas até então eram insuficientes e sobre o risco da delação “seletiva” de Vorcaro.
A defesa de Vorcaro entregou a proposta de colaboração premiada no início deste mês, após 45 dias de trabalho.
O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).





