Manifestação pela prorrogação do auxílio emergencial é interrompida pela PM

O ato consistia na instalação de barracos de madeira no gramado em frente ao Congresso Nacional, com a ideia de montar um cenário de favela

atualizado 09/12/2020 17:51

Reprodução ONG Rio da Paz

Um manifestação promovida pela ONG Rio de Paz nesata quarta-feira (9/12), na Esplanada dos Ministérios, para pedir pela prorrogação do auxílio emergencial, foi desmontada pela Polícia Militar do Distrito Federal e pela Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal).

O ato consistia na instalação de seis barracos de madeira no gramado em frente ao Congresso Nacional, com a ideia de montar um cenário de favela.

Se dizendo “exausto com tudo isso”, o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos, relatou, por telefone, a cena vivida. “Fazemos manifestações em Brasília desde 2007 e nunca passamos por uma experiência dessa”, reclamou.

Antônio Carlos conta ainda ainda que presenciou uma cena de “retrocesso na liberdade dos cidadãos”. Ele ainda classifica que situação “ultrapassou a arrogância e o cerceamento da liberdade de expressão”.

Sem diálogo

Sob o céu de Brasília ainda escuro, a ONG chegou na esplanada às 2h. “Às 3h, alguns agentes chegaram de uma forma muito dura. Foi um choque, não houve diálogo, eles nem esperaram o dia amanhecer”, relatou Antônio Carlos.

“Eles afirmaram que não podíamos montar uma estrutura. Mas baseado em quê? Qual seria esse conceito de estrutura? Eles falaram ainda que poderíamos segurar, mas não fixar ali. Então eu disse: ‘amigo, às 4h da tarde isso tudo já vai ter terminado”, relembra o presidente da ONG.

Antônio Carlos ainda conta que era uma instalação leve: “A ideia era retratar uma favela: estendemos uma mesa com pratos vazios, para simbolizar o desemprego e a fome”.

O presidente da ONG também disse que antes da instalação fez postagens nas redes e comunicou os órgãos competentes.

A desinstalação

“À tarde, vieram alguns PMs, um pouco mais calmos. Estávamos só com um barraco, deveriam ser seis. Mas eles insistiram pela retirada, falaram que iam colocar tudo em um caminhão. Neste momento eu estava tão cansado e tão indignado, que falei: ‘amigo, podem fazer o que quiserem'”.

A ONG Rio da Paz postou, nas redes sociais, o exato momento em que a instalação é removida. Na legenda, a cena é descrita: “Após obrigarem manifestantes da ONG a derrubar os barracos erguidos pela manhã na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a PM e o DF Legal recolheram e apreenderam as instalações da manifestação pelo auxílio emergencial”.

Veja:

Antônio Carlos conta ainda que, antes do ato na Esplanada dos Ministérios, tinha encontrado com a família das primas Emilly Victoria, de 4 anos, e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, de 7, mortas durante um tiroteio em Duque de Caxias (RJ).

Ele diz que, após esse encontro e também depois de ter percorrido algumas favelas do Brasil, já se encontrava frustrado com a situação do país e a intromissão dos agentes no ato foi “a gota d’água”. O ato também contava com alguns objetos dessas favelas.

O que diz a PMDF

Em nota, a PMDF afirmou: “A Polícia Militar informa que a manifestação na área da Espanada dos Ministérios está liberada. Porém, a montagem de qualquer estrutura no local está proibida de acordo com o Decreto nº 26.903, de 12 de junho de 2006. Por isso houve a desmontagem da estrutura”.

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