Mãe de menina internada sem unhas deve ser indiciada por tortura

Criança de 3 anos estava com indícios de maus-tratos e teve que ser operada para retirada de 40% de seu intestino, que estava lesionado

atualizado 20/05/2021 20:40

Divulgação: Conselho Tutelar de Goiânia

Goiânia – A Polícia Civil de Goiás deve indiciar pelo crime de tortura qualificada por lesão grave a mãe de uma criança de 3 anos que foi levada para o hospital com características de maus-tratos em Goiânia. A menina apresentava as unhas arrancadas e teve que passar por cirurgia de emergência para retirada de cerca de 40% dos intestinos, que estavam lesionados.

A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) conclui na sexta-feira (21/5) o inquérito policial sobre o caso. Segundo a polícia, a mãe tem 25 anos e está grávida. O crime pelo qual ela deve responder tem pena que varia de 4 a 10 anos de reclusão. Não há indícios de autoria ou participação do padrasto no crime. Como medida protetiva, a menina foi retirada da casa da mãe e está sob os cuidados da avó materna.

Conforme a polícia, o fato ocorreu por volta do dia 1º/5, no setor Santa Genoveva, na capital. A criança deu entrada no Hospital Materno Infantil em 7/5 apresentando lesões que teriam ocorrido, aparentemente, há alguns dias. A equipe médica do hospital detectou, então, que a criança possivelmente era vítima de agressão.

Segundo apurado, a mãe já havia levado a criança em outras três unidades de saúde anteriormente à procura de atendimento médico. No Materno Infantil, o Conselho Tutelar foi acionado e comunicou o fato à DPCA, que imediatamente iniciou as diligências.

A mãe da criança e o padrasto foram ouvidos, bem como outras testemunhas. A mãe nega que tenha causado as lesões na criança. Porém, de acordo com a DPCA, a criança chegou a perder 40 cm do intestino delgado por ter havido uma necrose causada no órgão por uma lesão.

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Alerta

O Conselho Tutelar pede que pessoas próximas das vítimas e a própria comunidade denunciem casos de violência. “A maioria das denúncias era recebida por meio das escolas, mas agora a situação está pior porque as crianças estão sem aula presencial. Em grande parte dos casos, o agressor está dentro de casa”, alerta o representante o órgão, Carlin Júnior.

Metrópoles não localizou contato da mãe e do padrasto ou da defesa deles para se manifestarem. Os nomes não foram divulgados para preservar a menina, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Outro caso

A Polícia Civil também investiga o caso de uma bebê de 6 meses internada com mais de 30 hematomas no corpo, no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), na região noroeste de Goiânia. O estado de saúde dela é estável. A criança, segundo o último boletim médico, voltou a respirar, espontaneamente, sem ajuda de aparelhos.

A bebê foi levada, pelos pais, para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Anápolis, a 55 quilômetros da capital, na noite de segunda-feira (10/5), depois de começar a perder sinais vitais no colo de seu pai, um profissional de almoxarifado, de 27 anos, na casa da família, na mesma cidade. Uma médica suspeitou de maus-tratos e denunciou o caso à Polícia Civil.

O pai da criança foi preso nesta quinta-feira (20/5). A prisão dele foi solicitada com o argumento de garantia da ordem pública e da instrução criminal do caso. Testemunhas o descreveram como uma pessoa impulsiva e explosiva no ambiente doméstico, e cuja liberdade gera medo.

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