Mãe de Delino Marçal morreu tentando falar algo, afirma testemunha

Em depoimento à Polícia Civil de Goiás, testemunha relata últimos segundos de vida da pastora idosa morta em Goiânia e ação do suspeito

atualizado 17/01/2022 17:28

Pastora morta igreja homem pelado goiania goiasReprodução/Instagram

Goiânia – A única testemunha do caso do assassinato da mãe de Delino Marçal, vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa de 2019, disse à polícia que presenciou o momento em que ela deu o último suspiro, na calçada de uma igreja evangélica, em Goiânia. O suspeito foi preso em flagrante.

O borracheiro Luciano de Paula, de 44 anos, afirmou que Odete Rosalina da Costa, de 79, morreu, após ser atingida barra de ferro, caída na calçada da igreja, na sexta-feira (14/1). “Toda ensanguentada, com golpe na cabeça, ainda respirando e tentando falar alguma coisa”, disse, em depoimento à Polícia Civil horas depois do crime.

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“Transtornado, gritando”

Na delegacia, o borracheiro contou que, por volta das 5h, orava com a pastora na igreja evangélica, que fica na frente da casa dela. Nesse momento, segundo o relato, os dois foram surpreendidos por Matheus Macaubas Lima Santos, de 22 anos, “completamente pelado, transtornado, gritando para chamar José”. Vídeo flagrou o suspeito andando nu pela rua.

Assustados, segundo o boletim de ocorrência, Luciano e Odete começaram a orar em voz alta para tentar afastar Matheus, que, em seguida, pulou o muro e começou a ameaçá-los de morte. Na ocasião, segundo o borracheiro, o jovem disse “sai pra lá crente do Satanás”.

Golpe no rosto

Luciano ainda contou à polícia que levou, de raspão no rosto, um golpe com a barra de ferro, que, segundo ele, foi desferido por Matheus. A testemunha afirmou ter usado as cadeiras da igreja como escudo, mas, conforme ressaltou, todas foram quebradas pelo jovem. Também disse que Odete não conseguiu se defender por ser idosa.

O borracheiro relatou que, em seguida, ele e a pastora conseguiram sair da igreja para pedir ajuda e que a deixou sozinha no momento em que correu para chamar por socorro na casa das filhas dela, que moram a dois quarteirões da igreja.

Ao voltar, cerca de 20 minutos depois, com filhas da pastora, ele disse que se deparou com Odete caída na calçada da igreja, antes de dar os últimos suspiros no colo de uma delas. A idosa morreu, logo em seguida, por não suportar as lesões.

Além de Delino Marçal, Odete teve oito filhos, sete deles ainda vivos.

Briga em casa

Horas antes do crime, ainda na madrugada de sexta-feira, Matheus brigou com a então companheira dele, em casa, e a ameaçou de morte. Depois, ele se envolveu em uma discussão e um confronto com o tio dela, que mora no mesmo local, e também fez a mesma ameaça para a avó dela. Em seguida, fugiu e, horas depois, foi preso em flagrante pela morte da pastora.

O jovem deve ser ouvido pela polícia nesta semana. O delegado André Veloso disse que o laudo psiquiátrico de Matheus deverá ser anexado ao inquérito na Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH). O objetivo é saber se o crime foi cometido em um contexto de consumo de drogas ou de surto psicótico (ou os dois).

Após ser preso, Matheus não quis passar seus dados pessoais, não respondeu a nenhuma pergunta do interrogatório e até se negou a vestir roupas, quando chegou para fazer exame no IML. O jovem vai responder por homicídio qualificado por motivo fútil, além de lesão corporal e desacato contra os militares, nos quais cuspiu e disse que passaria Covid-19 para eles.

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