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Eleições 2026Brasil

Com aliados alvos da PF, Weverton mantém candidatura ao Senado pelo MA

Operação da PF aponta o senador e seus familiares em um suposto esquema de lavagem de dinheiro com origem em desvios do INSS

05/08/2026 04:00
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Senador Weverton Rocha PDT-MA na portaria do Ministério das Comunicações - Metrópoles

A recente operação da Polícia Federal (PF) que mirou familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) não deve abalar seus planos para concorrer à reeleição. Apesar da investigação, o pedetista e o seu entorno político garantem que seu nome está posto para o pleito de outubro.

Weverton é candidato à reeleição ao Senado pelo Maranhão e seu nome é uma indicação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para compor a chapa de Orleans Brandão (MDB), ao lado de Eliziane Gama (PT-MA).

Em nota divulgada à imprensa, o senador afirmou que sua candidatura está mantida, declarou não ter ficado surpreso com a operação e classificou a investigação como “ataques” devido às suas posições políticas.

“Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques. Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava que eles fossem tão longe ao envolver a minha família e até apoiadores políticos”, declarou o senador.

Nessa terça-feira (4/8), a família do parlamentar, que é vice-líder do governo do presidente Lula (PT) no Senado, foi alvo de operação da PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suposta lavagem de dinheiro nas fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS (veja mais detalhes abaixo).

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Candidatura mantida

Embora aliados acreditem que a candidatura do senador “não se mantenha em pé“, pessoas envolvidas na campanha eleitoral no Maranhão consultadas pelo Metrópoles pontuam que não há, neste momento, perspectiva de mudanças na candidatura do senador, mesmo que ocorram novos desdobramentos da operação da Polícia Federal.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que pesa o fato de Weverton ter sido escolhido pelo presidente Lula, o que tornaria uma eventual substituição politicamente complexa e dependeria de uma ampla articulação entre partidos e lideranças da base.

Por outro lado, integrantes do PT maranhense acreditam que os recentes acontecimentos não devem contaminar a campanha de Felipe Camarão ao governo do estado nem o palanque para Lula nas eleições nacionais.

A avaliação é que, embora seja próximo de Lula e vice-líder do governo no Senado, o eleitor não relaciona a imagem do senador ao presidente Lula. Aliado a isso, o fato de Weverton compor uma chapa adversária ao PT contribui para essa dissociação.

Com aliados alvos da PF, Weverton mantém candidatura ao Senado pelo MA - destaque galeria
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A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritorio do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4/8).
A ação faz parte de uma operação da PF que investiga suspeitas de crimes relacionados a organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Agentes realizaram diligências no imóvel durante o cumprimento das medidas judiciais.
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) é apontado como beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro
Advogado Willer Tomaz é um dos alvos da Operação Sem Desconto da Polícia Federal
A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritorio do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4/8).
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A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritorio do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4/8).

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritorio do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4/8).
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A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritorio do advogado Willer Tomaz, em Brasília, nesta terça-feira (4/8).

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
A ação faz parte de uma operação da PF que investiga suspeitas de crimes relacionados a organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Agentes realizaram diligências no imóvel durante o cumprimento das medidas judiciais.
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A ação faz parte de uma operação da PF que investiga suspeitas de crimes relacionados a organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Agentes realizaram diligências no imóvel durante o cumprimento das medidas judiciais.

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) é apontado como beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro
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Senador Weverton Rocha (PDT-MA) é apontado como beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Advogado Willer Tomaz é um dos alvos da Operação Sem Desconto da Polícia Federal
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Advogado Willer Tomaz é um dos alvos da Operação Sem Desconto da Polícia Federal

Valter Zica/OAB-DF

CPMI do INSS e indicação de Messias

O envolvimento de Werverton em escândalos, contudo, não é considerado uma novidade. O senador foi indiciado no relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) ao fim da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava as fraudes do INSS por advocacia administrativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Contudo, ele não foi indiciado no relatório da PF.

O candidato à reeleição na Câmara dos Deputados pelo Maranhão e vice-presidente da CPMI do INSS, Duarte Junior (Avante-MA), disse à reportagem que a operação já era esperada.

“Tudo que está acontecendo hoje é um desfecho claro do que investigamos e apontamos durante a CPMI do INSS. Não há dúvida de quem está por trás de décadas de roubos nas aposentadorias dos idosos brasileiros. E, por óbvio, não só pode como deve interferir nas eleições. Afinal de contas, o eleitor está cada vez mais ligado nesse tipo de informação”, declarou.

O senador chegou a ter a prisão pedida pela PF, mas a medida foi negada pelo STF e pela Procuradoria Geral da República (PGR). Rocha foi apontado pela corporação como o “sustentáculo” político do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A instituição disse que o parlamentar era “sócio oculto” do esquema de descontos irregulares de aposentados e pensionistas.

Em suas atuações recentes no Senado, o candidato à reeleição foi relator da sabatina da indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), para uma vaga no STF. O texto foi favorável e afirmava que o indicado preenchia todos os requisitos. O nome de Messias, no entanto, foi rejeitado pelo plenário do Senado.

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O enlace político no Maranhão

A movimentação de Weverton ocorre em um momento delicado para a ala progressista no Maranhão, que tenta se reorganizar politicamente após rompimento entre o atual governador, Carlos Brandão (sem partido), e o grupo do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dino e Brandão eram aliados e passaram a seguir caminhos distintos após divergências sobre a sucessão estadual e a distribuição de espaços de poder. Com o rompimento, Brandão lançou o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como candidato ao Palácio dos Leões.

A escolha confirmou o rompimento entre dinistas e a família Brandão no estado e enterrou a possibilidade de o vice-governador Felipe Camarão (PT), aliado de Dino, assumir o protagonismo da chapa.

Do outro lado, a oposição aposta no ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) para assumir o governo do Maranhão. Braide, que negou investidas do PT por uma aliança, também busca se dissociar do bolsonarismo — postura considerada estratégica, tendo em vista que o estado é considerado um reduto petista e, tradicionalmente, elege políticos aliados do presidente Lula.