Lula reúne Conselhão nesta quinta para balanço de atividades na COP30
Encontro de órgão que assessora o presidente na formulação de políticas públicas também prevê anúncios de ações do governo
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta quinta-feira (3/12), da 6ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão. O encontro, que reúne autoridades do governo e representantes da sociedade civil, acontece no Palácio Itamaraty a partir das 10h.
Nesta sexta reunião, a programação será voltado ao balanço de atividades desenvolvidas por membros do grupo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). Também estão previstos anúncios de ações do governo.
O órgão batizado é responsável por assessorar o presidente na formulação de políticas públicas e de diretrizes de governo, promovendo a elaboração de estudos e recomendações.
Durante a Conferência, em Belém (PA), o Conselhão promoveu mesas, oficinas e dinâmicas com foco em participação social.
Além de Lula, também estarão presentes:
- o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin;
- a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann;
- o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
- a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck;
- o ministro dos Transportes, Renan Filho;
- o ministro das Cidades, Jader Filho;
- o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho;
- o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira;
- o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius de Carvalho;
- e a a secretária-Geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.
Saldo da COP30
- A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) foi encerrada em 22 de novembro, depois de 11 dias de negociações envolvendo delegações de mais de 190 países.
- O texto final da COP30 apresentou a ampliação do financiamento ao combate das mudanças climáticas para nações pobres, mas deixou de fora a descontinuação do uso de combustíveis fósseis — como petróleo e carvão mineral.
- Entretanto, ficou acordado que essa pauta poderia ser apresentada pelo Brasil em um texto paralelo.
- A ausência dessa menção já era esperada, porque a presidência brasileira havia apresentado, dias antes, um rascunho que deixava de fora a redução dos combustíveis, que configuram como a principal causa do aumento da temperatura global.
- A omissão repercutiu na imprensa internacional. Jornais estrangeiros classificaram o evento da Organização das Nações Unidas (ONU) como “fracasso” e “caos”.
- Ao discursar no encerramento da conferência, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o governo brasileiro sonhava com mais resultados do que os efetivamente aprovados.
O Conselhão
Criado em 2003, no primeiro mandato de Lula, o Conselhão esteve em funcionamento por mais de 15 anos até ser extinto em 2019, no começo da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No início da gestão atual do titular do Planalto, o grupo foi recriado. A reunião que marcou a retomada do órgão foi realizada em 4 de maio de 2023.
Os conselheiros e conselheiras — que somam 286 membros atualmente — incluem empresários, sindicalistas, pesquisadores, artistas, lideranças de movimentos sociais, formadores de opinião e representantes de diversas áreas de atuação.
Reunião em agosto
A última reunião, feita em agosto, teve como foco as recém impostas tarifas de 40% dos Estados Unidos à produtos exportados brasileiros e as sanções econômicas aplicadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Na ocasião, o Conselhão divulgou um manifesto em defesa da soberania nacional e da atuação da Corte. “O Brasil é um país soberano, que defende a paz mundial, o multilateralismo e o combate à fome e a miséria. Um país que respeita a autodeterminação dos povos e quer também ser respeitado”, dizia um trecho da carta.
Quatro meses depois, agora no 6º encontro do Conselho, os membros encontram outro cenário: em 20 de novembro, a Casa Branca recuou e zerou as tarifas de 40% aplicadas pelos EUA sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros.
Com a decisão, deixaram de ser taxadas as exportações de carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, certas frutas, vegetais e nozes e fertilizantes. Antes disso, no dia 14, o governo norte-americano já havia anunciado a retirada das tarifas globais de 10%.
Após meses de tensão com o tarifaço, o gesto dos EUA e diálogo direto entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump marcam uma possível reconfiguração nas relações bilaterais. A abertura para negociar e reavaliar tarifas sinaliza uma nova etapa diplomática, centrada no comércio e na cooperação, e pode criar terreno para parcerias mais amplas.
Mesmo com a evolução, ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os países. O Brasil agora busca diminuir as taxas que atingem o setor industrial, especialmente na área de manufaturas — como máquinas, motores e madeira.








