Lula aproveita abertura de Trump e tenta avanço em redução de tarifas

Lula tenta aproveitar a sinalização de diálogo com os EUA para destravar a redução de tarifas impostas por Trump

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Os presidentes dos EUA e do Brasil, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva
1 de 1 Os presidentes dos EUA e do Brasil, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A ligação realizada nesta terça-feira (2/12) entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu as esperanças de um alívio para o comércio entre os países. A expectativa é que Lula continue tentando avançar na retirada das tarifas impostas pela Casa Branca aos produtos brasileiros.

A conversa, segundo o Palácio do Planalto, foi marcada por tom diplomático, Lula agradeceu a retirada de sobretaxas sobre uma parte dos produtos brasileiros e sinalizou disposição para avançar nas negociações, mirando setores estratégicos do agronegócio e da indústria de exportação.

“Lula indicou ter sido muito positiva a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas. Destacou que ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações”, afirmou a presidência em nota.

Trump, por sua vez, afirmou que a conversa foi muito boa. “Eu gosto dele, muito bom. Tivemos algumas boas reuniões, como você sabe, mas hoje tivemos uma conversa muito boa”, disse durante uma coletiva de impresa.

Impacto nos setores produtivos

A retirada das sobretaxas sobre produtos como carne e café representa um respiro importante para setores fortemente afetados. Exportadores, cooperativas e produtores rurais passam a ver na decisão um caminho para recuperar parte da competitividade perdida e retomar fluxo de vendas ao mercado americano, o que impacta faturamento, emprego e receita cambial.

Após meses de tensão com o tarifaço, o gesto dos EUA e a abertura ao diálogo marcam uma possível reconfiguração nas relações bilaterais. A disposição de negociar e rever as tarifas pode representar uma nova fase diplomática, com foco no comércio e cooperação, abrindo espaço para parcerias mais amplas.


Relação Brasil-EUA & tarifaço

  • Após o anúncio de tarifaço, o governo brasileiro buscou reuniões técnicas em Washington, mas não recebeu retorno formal da Casa Branca;
  • A missão enviada pelo Itamaraty para negociar reduções tarifárias voltou sem agenda marcada com autoridades americanas;
  • Tentativas de contato direto entre Ministério da Fazenda e Departamento de Comércio ficaram sem resposta durante meses. Após negociações, uma reunião foi marcada entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro Americano, Scott Bessent, e desmarcada logo em seguida, sem justificativa;
  • Diplomatas relataram que pedidos de reunião foram sistematicamente ignorados. Parlamentares e empresários se mobilizaram para ir aos EUA, mas também não foram recebidos.
  • Desde a Assembleia Geral da ONU em Nova York (EUA), em setembro, Trump deu início a um movimento de reaproximação diplomática com o governo brasileiro.

Para setores voltados à exportação, a perspectiva de tarifas mais baixas reativa investimentos, o que pode gerar reflexos positivos em produção, logística e geração de empregos. No médio prazo, uma retomada nas exportações pode favorecer também a economia interna, com aumento de receita e estímulo às cadeias produtivas.

Apesar do avanço, o cenário ainda exige cautela, já que alguns produtos ainda estão com tarifas adicionais que continuam sem negociação e a volatilidade na política comercial internacional torna imprevisível a estabilidade das relações com os EUA.

Além disso, para materializar os ganhos anunciados, será necessário que exportadores brasileiros reajam rapidamente, e façam a adaptação logística, já que muitos contratos foram firmados com outros países durante o tempo em que as tarifas foram aplicadas.

O Brasil, segundo o governo, pretende usar o momento de abertura para avançar também em cooperação em segurança, combate ao crime organizado e recuperação de confiança internacional, o que pode redefinir a agenda bilateral além do comércio.

“O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas. Os dois presidentes concordaram em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas”, afirmou o comunicado do Planalto.

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Donald Trump e Lula
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático
Encontro entre Lula e Trump na Malásia
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Negociações entre os países

Em agosto de 2025, o governo de Trump aplicou uma sobretaxa de 50% sobre várias exportações brasileiras para os EUA, combinando a alíquota de 10% já vigente com um adicional de 40%.

A medida incidiu sobre cerca de 35,9% da pauta exportadora brasileira, atingindo fortemente produtos como café, carne bovina, açúcar, frutas, madeira e bens agrícolas.

À época, o governo americano afirmou que a balança comercial entre os países era deficitária para os EUA, ou seja, que o país estaria comprando mais do que vendendo. Um tempo depois, Trump admitiu que havia aplicado as taxas em decorrência do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado.

O impacto das tarifas foi quase imediato. Nos meses seguintes ao anúncio, as exportações brasileiras para os EUA registraram queda expressiva, em alguns setores, a retração ultrapassou 50%.

Em resposta, o governo brasileiro desenhou o plano de apoio batizado de Brasil Soberano, que disponibilizou cerca de R$30 bilhões em crédito para empresas afetadas.

O Brasil tentou dialogar com os EUA para reduzir as tarifas, no entanto, não obteve respostas. Isso porque um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi a Washington, nos EUA, para impedir as tentativas de aproximação entre os países.

Apesar das intercorrências, Lula e Trump se encontraram brevemente durante a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Na ocasião, Trump afirmou que ele e Lula tiveram uma “boa química” e que voltariam a conversar, o que de fato aconteceu, a primeira vez também por uma ligação, na qual os presidentes trocaram telefones e a segunda vez o encontro ocorreu na Malásia.

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