Lula: “Nunca vi um mercado tão sensível quanto o nosso”

Lula comentou volatilidade do mercado em dia de instabilidade após fala sobre segurança fiscal nesta quinta. Bolsa despencou e dólar subiu

atualizado 10/11/2022 20:49

Imagem colorida mostra Luiz Inácio Lula da Silva, presidente eleito, em pé em um palco. Ele usa terno e segura um microfone - Metrópoles Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em conversa com apoiadores nesta quinta-feira (10/11) que “nunca viu um mercado tão sensível quanto o nosso”. A declaração do presidente foi dada na saída do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do gabinete de transição, no fim de um dia de muito nervosismo no mercado financeiro.

Houve queda forte na Bolsa e alta significativa no dólar. O mau humor econômico foi consequência de um discurso de Lula pela manhã com forte tom de crítica a quem lhe cobra definições sobre as regras fiscais.

“Nunca vi um mercado tão sensível… É engraçado que o mercado não ficou tão nervoso com quatro anos de Bolsonaro”, disse o futuro presidente. “Estamos precisando de um pouco de paz”, pediu ele.

Veja:

Mais cedo, Lula falou a parlamentares de 14 partidos no auditório do CCBB:

“Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal nesse país?”, questionou Lula. “Por que toda hora as pessoas falam: é preciso cortar gastos; é preciso fazer superávit; é preciso fazer teto de gastos? Por que as pessoas que discutem com seriedade o teto de gastos não discutem a questão social neste país? Por que o povo pobre não está na planilha da discussão da macroeconomia? Por que que a gente têm meta de inflação, mas não tem meta de crescimento?”, discursou o presidente eleito, que chegou a chorar.

Na quarta-feira (9/11), após reunião com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula conversou com jornalistas. Entre outros pontos, ele destacou que muito do que vem sendo apontado como “gasto” por quem alerta para cuidados na área econômica, para ele se trata de investimento.

“Vou tomar posse no dia 1º e, se depender de mim, no dia 2 a gente já vai estar colocando obra para funcionar porque precisamos gerar empregos, distribuir renda e fazer o país voltar a crescer”, declarou Lula. “Não podemos ficar chorando ‘Ah, vai gastar’. Muita coisa que as pessoas falam que é gasto, eu falo que é investimento”, destacou ele na oportunidade.

Mercado nervoso

Já nesta quinta, como reflexo das declarações, a Ibovespa fechou com queda de 3,61%, aos 109.475,49 pontos. Foi a maior queda diária desde setembro de 2021.

Já o dólar foi em sentido contrário e fechou a R$ 5,397, uma alta de 4,14%.

Foi um dia de muita volatilidade no mercado.

PEC

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), que coordena a equipe de transição, se reúne na tarde de quinta com o grupo escolhido por Lula e com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para apresentar a minuta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que abre espaço no Orçamento de 2023.

Lula afirmou que “não sabe nada da PEC”, mas interlocutores do futuro governo petista disseram que o novo presidente passou o dia em reuniões sobre o tema no CCBB. Na terça ele teria tratado sobre o tema também com os chefes dos poderes.

Apelidada de PEC da Transição, a proposta garante a manutenção do Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, e o aumento real do salário mínimo. A expectativa era de que o texto fosse ser apresentado nesta quinta-feira.

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