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Eleições 2026Brasil

Lula nega que fim das bets e reajuste do Bolsa Família sejam eleitoreiros

Presidente Lula alegou, nesta quinta (1º/10), que medidas foram tomadas por razões sociais e por haver espaço no Orçamento

02/10/2026 00:00, atualizado 02/10/2026 00:01
Reprodução/Youtube
Imagem colorida mostra Lula - Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou, nesta quinta-feira (1º/10), que a decisão de proibir as bets e o reajuste do Bolsa Família tenham sido medidas adotadas com objetivo eleitoral. As duas decisões foram anunciadas nas semanas que antecedem o primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4/10), e foram criticadas por adversários do petista.

Durante entrevista ao Flow Podcast, Lula afirmou que decidiu acabar com as bets após tomar conhecimento do impacto das apostas sobre o endividamento de famílias. O governo publicou, em 25 de setembro, uma medida provisória que proibiu a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país.

“Eu tomei a decisão de acabar com essa peste, porque está empobrecendo o povo brasileiro e endividando”, disse Lula. O presidente contou que conheceu uma pessoa a quem teria emprestado dinheiro para quitar uma dívida e descobriu posteriormente que ela acumulava débitos relacionados a apostas.

Lula afirmou que sabia que enfrentaria críticas de influenciadores ligados ao setor e negou ter adotado a medida para obter votos.

“Não tem nenhuma prova de que isso [acabar com as bets] me deu voto até agora. A única questão é a seguinte: eu tomei a decisão de não permitir que o povo pobre seja extorquido, vendendo o dinheiro do feijão do filho, do leite do filho, do pão do filho, para jogar”, afirmou.

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O presidente também reconheceu que a proximidade da eleição pesou na decisão de implementar a medida naquele momento. “E pelo fato da gente ter eleição é que eu acabei mesmo. Porque se não acabo e não ganho as eleições, jamais ia acabar”, declarou.

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Reajuste do Bolsa Família

Lula também negou que o aumento do Bolsa Família tenha sido uma medida eleitoral. Em setembro, o governo anunciou uma recomposição de 15,04% nos valores do programa. O benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado subiu de R$ 675 para R$ 777. A atualização corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 e começou a valer na folha de outubro.

“Por que eu dei aumento do Bolsa Família? Foi por causa das eleições? Não. É porque sobrou espaço fiscal, é porque o orçamento permitia”, afirmou Lula.

O presidente disse ainda que ficou “puto” com integrantes da equipe econômica, porque o benefício não havia sido reajustado desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023. Segundo ele, a atualização representa uma reposição da inflação, e não um aumento real.

“Você não está dando aumento, você está repondo o que a inflação comeu. Aí nós demos o dinheiro porque sobrou espaço fiscal. Eu vou fazer o quê? Vou deixar de dar? Eu dei”, disse.

As duas medidas foram alvo de críticas de candidatos à Presidência. No caso do Bolsa Família, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) classificaram o reajuste como eleitoreiro. Flávio Bolsonaro (PL) chamou a decisão de “ato de desespero”.

Zema também criticou conjuntamente a proibição das bets e o reajuste do benefício, classificando as medidas recentes do governo como uma “aberração eleitoral”.