
Caiado acusa Lula de "provocar" o cancelamento do debate da TV Globo
Candidato do PSD atribuiu ao petista responsabilidade pelo fim do debate após decisões judiciais e desistência de Flávio Bolsonaro

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, nesta quinta-feira (1º/10), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o responsável pelo cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo. Em coletiva após a decisão da emissora, Caiado disse que o petista “provocou” a situação ao decidir não participar do encontro.
“Lula provocou tudo isso. Ele foi o fator determinante de tudo isso. Ele foi provocado pelo Flávio (Bolsonaro), na minha cidade, em Goiás, dizendo: ‘Vá lá que eu vou lhe enfrentar’”, declarou.
Lula havia informado à Globo na quarta-feira (30/9) que não participaria do debate. O presidente optou por conceder uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário do encontro.
Flávio Bolsonaro (PL), que inicialmente havia confirmado presença, desistiu de participar horas antes do debate. O senador afirmou que tomou a decisão após uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alterou as regras previstas para a ausência de Lula.
A Globo acabou cancelando o debate depois de receber duas decisões judiciais que modificaram as condições estabelecidas previamente com as campanhas.
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Segundo o candidato, o debate teria importância para aproximar os eleitores dos candidatos e estimular a participação no processo eleitoral.
“Esse debate hoje tem uma relevância ímpar. Era o momento em que eu queria mostrar que as pessoas precisam acreditar na campanha eleitoral, precisam acreditar no voto”, afirmou.
Na sequência, Caiado criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e falou em uma possível “ditadura da toga”.
“Provavelmente, eles querem reunir-se entre eles e decidir quem deve ser no fim o presidente da República”, declarou.
Decisões judiciais levaram ao cancelamento
A primeira decisão recebida pela Globo foi assinada pela ministra Estela Aranha, do TSE, a partir de um pedido da coligação de Lula. A determinação impediu que a emissora mantivesse no cenário um púlpito vazio com o nome do presidente e também proibiu que os demais candidatos fizessem perguntas direcionadas a ele.
A regra original do debate, assinada pelas campanhas, previa justamente a manutenção do púlpito do candidato ausente e a possibilidade de os participantes formularem perguntas a ele durante uma das rodadas.
A segunda decisão foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, após um pedido relacionado à participação de Renan Santos (Missão). O ministro determinou que o candidato fosse incluído no debate, alterando a composição prevista pela emissora.
Em comunicado, a Globo afirmou que as determinações judiciais sucessivas provocaram “insegurança jurídica” e representaram, segundo a emissora, interferência na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais. Diante das alterações nas regras e nos participantes, a empresa decidiu cancelar o encontro.

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Além de Caiado, Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) também criticaram o cancelamento do debate e fizeram questionamentos sobre a atuação do Judiciário.
Zema afirmou que, diante do episódio, “quem está perdendo é o Brasil” e classificou a situação como uma “vergonha nacional”. O candidato também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e sugeriu que as decisões poderiam beneficiar grupos políticos.
Cury, por sua vez, criticou o que chamou de “ditadura do voto útil” e afirmou que duas famílias estariam tentando “sequestrar o Brasil”. O candidato defendeu sua proposta de terceira via e disse ser favorável à pacificação política.
A votação do primeiro turno está marcada para domingo (4/10).







