Lula não orientou base para barrar Lulinha em CPMI do INSS, diz Gleisi

Ministra defendeu que o colegiado deve ouvir pessoas ligadas diretamente ao esquema de fraudes em descontos no INSS

atualizado

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Gil Ferreira/SRI
Ministra Gleisi Hoffmann
1 de 1 Ministra Gleisi Hoffmann - Foto: Gil Ferreira/SRI

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou, nesta quarta-feira (28/1), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não fez nenhuma orientação à base governista sobre a possibilidade de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um de seus filhos, ser convocado para prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Gleisi também defendeu que o colegiado deve ouvir pessoas ligadas diretamente ao esquema de fraudes na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Segundo ela, é “muito complicado” fazer “convocações derivadas”.

“O presidente não deu nenhuma recomendação. Pelo contrário, ele disse que tem que ser apurado tudo. Só que eu acho que a CPI do INSS ela tem que convocar as pessoas que têm relação com os descontos associativos — e também agora vai entrar nos consignados. Porque fazer convocações derivadas, eu acho isso muito complicado”, afirmou a chefe da articulação política do governo.

A declaração foi dada durante café com jornalistas, em Brasília.

“O que a CPMI tem feito é o seguinte: nosso foco é investigar os descontos associativos, nosso foco vai ser investigar os consignados. Então, as pessoas a serem convocadas têm que ter relação direto com isso”, completou Gleisi.

Em dezembro, o presidente Lula falou pela primeira vez sobre o suposto envolvimento do filho no esquema de fraudes do INSS — revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens. Ele declarou que “se tiver filho meu envolvido, será investigado”.

Lulinha e o Careca do INSS

A Polícia Federal (PF) investiga a informação de que Fábio Luís teria negócios com o principal operador do esquema de desvio de aposentados e pensionistas, Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Um ex-auxiliar do operador contou, em depoimento, que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões do Careca do INSS, além de uma “mesada” de cerca de R$ 300 mil. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já confirmou em entrevista as investigações envolvendo o filho do presidente.

O Metrópoles revelou que Lulinha e Antonio Carlos viajaram juntos para Portugal, em passagem aérea comprada pelo lobista.

Além disso, mensagens em posse da PF revelaram ainda que, em 6 de outubro de 2024, o Careca do INSS instruiu um funcionário a entregar um “medicamento” no apartamento de Lulinha. O lobista enviou o print do endereço e especificou que a entrega deveria ser feita em nome de Renata Moreira, esposa do filho do presidente. A informação foi revelada na coluna de Tácio Lorran.

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