Lula diz ter pedido a Trump derrubada de sanções econômicas a Cuba

Presidente afirmou ao jornal The Washington Post que ilha caribenha “precisa de uma chance” e defendeu diálogo entre Cuba e EUA

atualizado

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1 de 1 lula-e-trump-em-foto-oficial-na-casa-branca - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspensão dos bloqueios econômicos contra Cuba. Em entrevista ao jornal americano The Washington Post divulgada neste domingo (17/5), o petista disse ter afirmado ao americano que a ilha caribenha “precisa de uma chance”.

Ao jornal, Lula fez um balanço do encontro com Trump na Casa Branca, no início do mês, e comentou a melhora na relação e nas negociações entre Brasil e Estados Unidos.

O presidente também avaliou a participação brasileira em tentativas de mediação de conflitos internacionais e reiterou posições contrárias à guerra contra o Irã, às tentativas de intervenção americana na Venezuela e ao conflito na Palestina, classificado por ele como um “genocídio”.

Na entrevista, Lula afirmou que o governo cubano está disposto a negociar com os Estados Unidos. Segundo ele, Trump disse, no encontro de 7 de maio, que não pretendia invadir o país caribenho. Os Estados Unidos mantêm sanções econômicas contra Cuba desde 1962.

“O que eu sei é que, se os Estados Unidos abrirem uma mesa de negociação, não baseada em imposições, Cuba vai participar”, disse.

Trump e Lula se encontraram em 7 de maio, em uma reunião que durou cerca de três horas. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos avaliaram o encontro como positivo.

O presidente norte-americano foi às redes sociais para chamar Lula de o “dinâmico presidente do Brasil” e afirmou que “diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas” foram discutidos.

Após a reunião, Lula destacou que o encontro tratou da retomada e do fortalecimento da relação entre os dois países.

Mediação de conflitos e críticas a Maduro

Na entrevista ao The Washington Post, Lula também defendeu que o Brasil continue disposto a atuar como interlocutor em crises internacionais. Segundo ele, porém, a mediação só é possível “quando quem está no poder quer mediação”.

O petista mencionou o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, preso por forças americanas e levado para julgamento nos Estados Unidos. Lula disse ter avisado a Maduro que apenas eleições com acompanhamento internacional seriam legitimadas.

“Maduro não fez isso e apenas aprofundou as suspeitas depois. Algumas pessoas sabem que estão erradas e continuam fazendo a coisa errada mesmo assim”, afirmou.

O presidente brasileiro ainda disse esperar que Trump seja convencido de que os Estados Unidos podem atuar para fortalecer o multilateralismo e a cooperação internacional.

“Espero que Trump possa ser convencido de que os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante fortalecendo a paz, a democracia e o multilateralismo. Vai ser difícil? Vai. Mas, se eu não acreditasse na persuasão, eu não estaria na política”, disse.

Ao Washington Post, Lula também comentou o conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã e afirmou que a crise tem prejudicado os próprios americanos com a alta de preços. “Trump tem responsabilidade nisso”, declarou.

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