Lula descumpre promessa eleitoral ao não separar Justiça e Segurança

Lula anunciou nomes de cinco ministros de seu governo, e ressaltou que não deve haver mudança na pasta de Justiça no primeiro momento

atualizado 09/12/2022 20:16

O presidente eleito Lula fala em coletiva de imprensa com membros da equipe de transição e apresenta alguns de seus ministros, no CCBB. Em destaque, ele gesticula diante de um púlpito - Metrópoles Reprodução

Como adiantou o colunista do Metrópoles Igor Gadelha, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (9/12) que não dividirá a pasta da Justiça em um segundo ministério, que seria o da Segurança Pública. Essa divisão era uma das promessas de campanha do petista, mas não estará entre as prioridades neste primeiro momento, segundo o futuro mandatário.

“Nós temos o interesse de criar o Ministério de Segurança Pública, mas a gente também não pode fazer a coisa de forma atabalhoada. O companheiro Flávio Dino tem a missão de primeiro consertar o Ministério da Justiça e consertar o funcionamento da Polícia Federal, queremos que carreira de Estado seja carreira de Estado”, disse Lula.

A declaração, no entanto, não foi confirmada pelo recém-anunciado ministro da pasta, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB). Na saída do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do Gabinete de Transição, Dino afirmou que não haverá a divisão da pasta em dois ministérios.

“Registrar que uma das determinações que ele [Lula] fixou é de total ênfase na área de segurança pública e, portanto, quero consignar os policiais, suas famílias, todos os profissionais de segurança pública, que o presidente Lula determinou na transição e também no exercício do governo que nós estejamos muito próximos dos policiais”, declarou.

“Não há nenhuma razão para não haver amplo diálogo com todos os profissionais de segurança pública, e isso vai ocorrer por determinação do presidente Lula.”

Contexto do anúncio

O presidente eleito queria começar a anunciar seu time somente a partir da semana que vem, após ser diplomado como vencedor das eleições pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas acabou cedendo às pressões em busca de um ambiente mais tranquilo para negociar com a atual legislatura do Congresso e com outros setores da sociedade.

O mercado vinha pressionando o novo governo para o anúncio de quem ocuparia a Fazenda, devido às incertezas fiscais ligadas à proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição que tramita no Congresso e que expandiu o teto de gastos em R$ 145 bilhões. Aliados afirmavam que a demora para a tramitação do texto se dava pela falta de clareza sobre quem ocuparia a pasta.

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“Não acredito em dificuldade na Câmara. Terei as conversas necessárias para aprovar como no Senado. Essa PEC é para fazer reparo no governo Bolsonaro e trazer o mínimo necessário para pessoas necessitadas, saúde, farmácia popular e começar a cuidar do povo brasileiro”, disse Lula.

Outro setor que vinha causando problemas é a Defesa, pasta que será ocupada pelo ex-ministro do TCU José Mucio Monteiro. A oficialização desse nome tem como objetivo aproximar o governo eleito dos militares – grupo social que integra a base de apoio de Bolsonaro, presidente não reeleito, e é pressionado por manifestantes acampados em frente a quartéis a dar um golpe para evitar a posse de Lula.

O golpismo não faz sucesso entre os oficiais da ativa, mas o anúncio do ministro da Defesa, que virá acompanhado dos nomes dos futuros comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, tem o objetivo de desmobilizar quem insiste nas ideias antidemocráticas, seja dentro das Forças Armadas, nas redes sociais ou nas ruas.

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