Lula anuncia Plano Safra da agricultura familiar com R$ 85 bilhões em crédito
Recorde, valor supera os R$ 78,2 bilhões da safra anterior. Governo também quer ampliar número de contratos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (30/6) R$ 85,2 bilhões em crédito rural para financiar a safra 2026/2027 da agricultura familiar. O lançamento do novo ciclo do Plano Safra da Agricultura Familiar ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.
Com o anúncio, a edição 2026/2027 passa a ser a maior da história em volume de recursos destinados ao setor. O recorde anterior havia sido registrado na safra 2025/2026, quando foram disponibilizados R$ 78,2 bilhões em crédito.
O Plano Safra é lançado anualmente pelo governo federal para estimular a produção de alimentos no país por meio da oferta de financiamentos com taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado.
No programa voltado à agricultura familiar, diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferecerão crédito com juros reduzidos para diversas finalidades, como custeio da produção agropecuária, compra de máquinas e outros investimentos no campo. Em algumas linhas, de acordo com o governo, a taxa de juros cairá de 3% para 2% ao ano.
“Caíram os juros de praticamente todas as linhas. Quem quiser produzir alimento nesse país a taxa será de 2%. E, se quiser produzir alimento orgânico, será um 1%. São as menores taxas de juros da história para produção de alimentos”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli.
Além dos empréstimos, o governo também prevê outras ações de estímulo ao setor, como seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural. No total, somando o montante que deve ser ofertado em crédito, o investimento deve chegar a R$ 97,3 bilhões.

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Ver todasAntes do anúncio do novo ciclo do Plano Safra, Lula visitou e posou para fotos e vídeos em uma feira, montada em frente ao Palácio do Planalto, com produtos de agricultores familiares. O anúncio da nova edição do programa foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e pelos ministros Dario Durigan (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).

Na nova safra, o Planalto espera aumentar o número de operações contratadas. No ciclo 2025/2026, foram firmados mais de 2 milhões de contratos, que somaram cerca de R$ 64,5 bilhões em crédito.
Mais cedo, também em cerimônia no Palácio do Planalto, o governo anunciou a versão empresarial do Plano Safra, destinada a médios e grandes produtores rurais. O programa contará com R$ 525,1 bilhões em crédito para o ciclo 2026/2027. O anúncio foi feito sem a presença de Lula, que, pela manhã, cumpria agenda no Paraguai.
Lideranças da bancada do agro no Congresso criticaram o anúncio do Planalto. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirmou que o governo inseriu “artificialmente” fundos para construir uma “narrativa” de que o crédito destinado ao Plano Safra era recorde. A FPA também criticou o que chamou de “gesto político” de Lula de ficar de fora do anúncio da versão para médios e grandes produtores.
“A postura reforça uma tentativa equivocada do governo de dividir o agro brasileiro, como se pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e cadeias produtivas não fizessem parte de um mesmo sistema responsável por produzir alimentos, gerar empregos, movimentar municípios e sustentar a economia nacional. O Brasil não pode continuar com a gestão de políticas públicas por diferenças eleitorais”, diz nota da entidade.















