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"Lixo inspira": gari de Goiânia grava 77 músicas e se destaca no rap

Conhecido como Yelow, rapper diz que fez “várias letras no topo da montanha do lixão” no aterro sanitário e destaca influência da periferia

03/03/2022 13:31, atualizado 03/03/2022 14:02
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Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Rhafael Moisés, o Yelow, gari e rapper de Goiânia, Goiás

Goiânia – Com vassoura, rastelo ou enxada nas mãos, o gari Rhafael Moisés Pereira dos Santos, de 38 anos, pode até passar despercebido na rua vestido com seu uniforme de trabalho. Ele, porém, tem usado o rap para lutar contra discriminação e romper a invisibilidade, enquanto atua na limpeza urbana de Goiânia.

O gari artista tem 77 músicas gravadas, 11 clipes lançados e vinheta que é tema de série nacional independente.

Nascido e criado no Jardim Nova Esperança, periferia na região noroeste da capital, o homem do uniforme alaranjado e verde passou a chamar atenção na cidade por transformar poesia urbana em músicas de rap. Conhecido como “Yelow”, ele produziu algumas canções durante o expediente no aterro sanitário de Goiânia, onde começou a se destacar como rapper.

“Lixo inspira”: gari de Goiânia grava 77 músicas e se destaca no rap - destaque galeria
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Com mãos na vassoura e outro no microfone, Rhafael Yelow carrega seus dois instrumentos que ocupam a rotina como gari e rapper, em Goiânia, Goiás
Rapper e gari, Rhafael Yelow canta para estimular pessoas e valorizar a periferia, em Goiânia, Goiás
Rapper Rhafael Yelow diz que tira inspiração do lixo para fazer músicas, em Goiânia, Goiás
Rapper Rhafael Yelow aproveita sua rotina como gari para cantar rap e estimular pessoas, em Goiânia, Goiás
Rapper e gari de Goiânia, Rhafael Yelow desponta no rap nacional
Rhafael Yelow, rapper e gari, busca motivar pessoas por meio da arte em Goiânia, Goiás
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Rhafael Yelow, rapper e gari, busca motivar pessoas por meio da arte em Goiânia, Goiás

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Com mãos na vassoura e outro no microfone, Rhafael Yelow carrega seus dois instrumentos que ocupam a rotina como gari e rapper, em Goiânia, Goiás
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Com mãos na vassoura e outro no microfone, Rhafael Yelow carrega seus dois instrumentos que ocupam a rotina como gari e rapper, em Goiânia, Goiás

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Rapper e gari, Rhafael Yelow canta para estimular pessoas e valorizar a periferia, em Goiânia, Goiás
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Rapper e gari, Rhafael Yelow canta para estimular pessoas e valorizar a periferia, em Goiânia, Goiás

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Rapper Rhafael Yelow diz que tira inspiração do lixo para fazer músicas, em Goiânia, Goiás
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Rapper Rhafael Yelow diz que tira inspiração do lixo para fazer músicas, em Goiânia, Goiás

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Rapper Rhafael Yelow aproveita sua rotina como gari para cantar rap e estimular pessoas, em Goiânia, Goiás
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Rapper Rhafael Yelow aproveita sua rotina como gari para cantar rap e estimular pessoas, em Goiânia, Goiás

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Rapper e gari de Goiânia, Rhafael Yelow desponta no rap nacional
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Rapper e gari de Goiânia, Rhafael Yelow desponta no rap nacional

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles
Rhafael Moisés, o Yelow, gari e rapper de Goiânia, Goiás
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Rhafael Moisés, o Yelow, gari e rapper de Goiânia, Goiás

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O gari tem músicas em coprodução com outros rappers independentes de Goiânia e também dois álbuns solo, como o P.A.T.O.M. – batizado com as iniciais da expressão “por amor e tantos outros motivos”.

A seguir, ouça as músicas mais tocadas do rapper.

“Topo do lixão”

“O lixo me inspira. Já fiz várias letras de rap no topo da montanha do lixão no aterro sanitário”, disse o gari ao Metrópoles.

Hoje, não é diferente. “A inspiração vem na rua. No intervalo, escrevo no celular e vou decorando. É na rua que acontece”. Ele trabalha na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) há 13 anos.

Rhafael começou a se destacar como rapper ao trabalhar no aterro sanitário, onde ficou por seis anos e chegou a gravar um de seus clipes. Depois, ele ainda trabalhou quatro anos na limpeza pública, dois na coleta orgânica e dois na varrição. Hoje, ele atua na equipe de poda e corte de gramas. O rapper disse que sempre busca tirar do lixo uma lição.

Veja, abaixo, clipe no Aterro Sanitário de Goiânia.

“Tem gente que trata o outro como lixo, mas até o lixo pode ser tratado e reaproveitado. Muitas vezes, pessoas com depressão, vício em álcool e drogas, outros problemas ou algum tipo de necessidade são discriminadas, mas, na verdade, precisam é de ajuda, não importa de onde venha”, afirmou ele. “O rap tem a função de mostrar que todos são importantes na sociedade”.

Série nacional

O gari conquistou mais um impulso para sua carreira em 2018, ano em que escreveu e cantou a vinheta da série juvenil nacional “Meu skate não é enfeite”, exibida, na época, na TV Brasil, e que hoje está disponível no Youtube. A produção aborda a história de um coletivo de skatistas goianos em luta pela manutenção de pista de skate importante para a comunidade.

Veja, abaixo, episódio da série nacional independente.

“O nome da série é uma frase da minha música. Fizemos participação especial em um episódio, além de show”, afirmou o rapper. “Minhas letras falam de autoestima, busca por sonho e cuidado que as pessoas devem ter ao fazer escolhas. Mostram também que, apesar de dificuldades, a periferia tem várias pedras talentosas que precisam ser lapidadas”.

O gari disse que encontrou na arte uma alternativa para contribuir com a sociedade. Mais velho de cinco filhos, ele afirmou que tentou seguir nos estudos, mas trancou o curso de educação física, logo depois de cursar o primeiro período, por falta de condição de pagar faculdade. “Estava bem puxado para manter as mensalidades em dia”, lembrou.

“Periferia é meu lar”

Além de se dedicar à limpeza urbana, o gari hoje integra coletivo de rappers chamado Wu-Kazulo, nome em alusão ao casulo, que, segundo ele, simboliza o processo de acolher as pessoas, independentemente da condição social.

“Lixo inspira”: gari de Goiânia grava 77 músicas e se destaca no rap - destaque galeria
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Rhafael Moisés, o Yelow, agita pública em show de rap em Goiânia, Goiás
Rhafael Moisés, o Yelow, em show de rap
Rhafael Moisés, o Yelow, faz show de rap com amigo em Goiânia, Goiás
Rhafael Moisés, o Yelow, canta rap em Goiânia, Goiás
Rhafael Moisés, o Yelow, durante apresentação em show de rap nacional
Rhafael Moisés, o Yelow, em show com o grupo Wu-kazulo
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Rhafael Moisés, o Yelow, em show com o grupo Wu-kazulo

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow
Rhafael Moisés, o Yelow, agita pública em show de rap em Goiânia, Goiás
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Rhafael Moisés, o Yelow, agita pública em show de rap em Goiânia, Goiás

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow
Rhafael Moisés, o Yelow, em show de rap
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Rhafael Moisés, o Yelow, em show de rap

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow
Rhafael Moisés, o Yelow, faz show de rap com amigo em Goiânia, Goiás
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Rhafael Moisés, o Yelow, faz show de rap com amigo em Goiânia, Goiás

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow
Rhafael Moisés, o Yelow, canta rap em Goiânia, Goiás
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Rhafael Moisés, o Yelow, canta rap em Goiânia, Goiás

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow
Rhafael Moisés, o Yelow, durante apresentação em show de rap nacional
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Rhafael Moisés, o Yelow, durante apresentação em show de rap nacional

Reprodução: Instagram Rhafael Yelow

Pai de uma adolescente de 14 anos e de um bebê que deve nascer até o próximo mês de julho, o rapper espera influenciar mais pessoas a se tornarem artistas na sua comunidade, onde, na infância, teve contato com hip-hop após fazer manobras com coletivo de skatistas. Ele diz ser grato a outros artistas, como Ras Tibuia e Saggaz, com quem produziu algumas músicas na periferia.

“Periferia é meu lar, tudo que tenho, exemplos bons. Aqui, aprendi a malandragem da vida, no bom sentido, a não desistir nunca, a saber andar pelas ruas, a captar os olhares e a cultivar as amizades. Aqui, aprendi a valorizar o ser humano”, assevera Rhafael.

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