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Livraria familiar há 20 anos em Petrópolis tem 15 mil obras destruídas

Após a forte chuva que atingiu a cidade na terça (15/2), livraria Nobel ficou com o depósito completamente submerso em água e lama por 48h

atualizado

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Foto: Aline Massuca/Metrópoles
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De Petrópolis – No mesmo ponto há 20 anos, o comerciante Amauri Madeira, 56, teve todo o seu estoque de livros submerso em 3 metros de água e lama durante 48 horas. Dono da livraria Nobel, na Rua 16 de Março, no centro de Petrópolis, ele diz nunca ter perdido nenhum produto para as enchentes. Dessa vez, 15 mil exemplares acabaram destruídos.

“Eu não estou contando o prejuízo agora, não consigo. Acho que o prejuízo mesmo são as vidas perdidas. Isso aqui é material, coisas materiais não são importantes nessas horas”, disse ao Metrópoles, emocionado.

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No depósito, no subsolo do estabelecimento, não sobrou nada. “Os livros de lá ficaram com esgoto, com excrementos, não é seguro mantermos. Recuperamos o que estava no andar de cima, o que foi possível. Em 15 minutos, o depósito acabou completamente submerso”, explicou.

Amauri faz um apelo para que as pessoas apareçam para comprar os livros que ficaram intactos: “Não tenho grandes quantidades, mas tenho. Peço que os petropolitanos comprem na cidade e não em sites. A gente precisa disso para se reerguer”.

Segundo ele, o ritmo de clientes já vinha diminuindo por conta da pandemia de Covid-19 e, agora, com a tragédia, a situação piorou. “A nossa livraria corre riscos. Se os editores não ajudarem, se as pessoas não ajudarem, podemos fechar.”

Momento da tragédia

“Eu não estava aqui na hora, mas meu filho me ligou desesperado: ‘Pai, perdemos tudo’. Só conseguia pensar nos meus funcionários e se todos estavam bem. Eu vivi as enchentes de 1988 e 2011. Fiquei muito preocupado com todos. Então, falei para ele ficar calmo, porque iríamos resolver a livraria depois”, relata Amauri.

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De acordo com ele, agora, não adianta se preocupar com o valor perdido, já que “sem leitor, os livros não são nada”: “Minha tristeza está aí, muitos leitores morreram. Amanhã, quando as pessoas forem encontradas e enterradas como merecem, aí eu penso no meu prejuízo”, afirmou.

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A paixão de Amauri pela cultura reflete até na razão social do estabelecimento. “Coloquei ‘Madeira e filhos’, porque é uma continuidade. Meus filhos trabalham aqui comigo. É um investimento na cultura”, relatou o empreendedor.

Para o comerciante, os livros “salvam as pessoas de uma forma diferente”: “A gente vê onde a leitura leva as pessoas. O livro é importante para a sociedade, é importante para formar crianças”.

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