Barbeiro salvou 20 parentes e vizinhos de desastre em Petrópolis
Segundo Kevin Amorim, em poucos minutos, a região se transformou em uma cena de filme de terror; a tragédia deixou mortos e desaparecidos

Petrópolis – No momento em que a primeira pedra caiu do Morro da Oficina, no Alto da Serra, em Petrópolis, o barbeiro Kevin Amorim, de 26 anos, sentiu o risco de deslizamento e correu desesperado para tirar familiares e vizinhos das casas.
Ao todo, 20 pessoas foram resgatadas por ele da tragédia que ocorreu após seis horas de chuvas ininterruptas na região.
“Eu estava do lado, salvei todos que pude. Por onde subi (na escadaria), depois não dava para descer mais”, contou ao Metrópoles.
A devastação deixou ao menos 117 mortos e 116 desaparecidos, segundo levantamento da Defesa Civil do Rio realizado na noite de quinta-feira (17/2).
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De acordo com Kevin, em poucos minutos, a região se transformou em uma cena de filme de terror. “Tirei uma senhora de 80 anos, que é acamada, e desceu o barranco”. A idosa era uma de suas vizinhas e segue bem.
“Eu e um vizinho buscamos pelas pessoas. Graças a Deus, consegui salvá-la.” Hoje, a idosa está no abrigo da Igreja Santo Antônio, junto com a família de Kevin.
“Eu precisava ajudar. Até agora estou indo e vindo o tempo todo”, completa.
Kevin mora na região desde os 5 anos de idade e diz nunca ter visto nada parecido. Segundo ele, quase todos os seus amigos de infância estão desaparecidos.
“Todo o lado do morro que perdeu, eu conhecia tudo lá. Olho para barreira e lembro de todos dali. A gente cansou de brincar naquela área.”
A fonte de renda de Kevin e sua família era um salão que veio abaixo, no pé do morro. “Era meu ganha-pão e da minha esposa. Foi tudo embora, mas pelo menos minha família está bem.”

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Ver todasNo momento em que houve o primeiro deslizamento de pedra, Andrielle Lopes, de 25 anos, esposa de Kevin, estava no salão com as duas filhas.
“Só deu tempo de correr, quando olhei para trás não tinha mais nada”, disse.
“Só conseguia chorar”
No mesmo abrigo em que estão parentes e vizinhos de Kevin e Andrielle, está Vanessa Alves, de 42 anos.
Moradora da Rua Primeiro de Maio, outra região fortemente atingida, no bairro da Castelânea, Vanessa ficou presa com três de seus filhos na enchente.
“Entrei em pânico, porque quase morri com o meu bebê e com a minha filha de 2 e a de 19 anos. A gente estava na rua, eu fiquei dentro do colégio da igreja, e elas, na padaria. Veio descendo carro na rua junto com a enchente, derrubou tudo. Quando a situação melhorou, só conseguia abraçar meus filhos e chorar.”
Recorrer ao abrigo, segundo ela, foi uma necessidade, para o bem de seus quatro filhos. “Saí, porque interditaram, então viemos para cá, ainda mais depois do que passamos.”
Wallace Amorim, de 24 anos, também relata momentos de terror. O jovem, que não estava no Morro da Oficina no momento do deslizamento, descobriu pelo irmão que o pai estava soterrado.
“No mesmo dia, meu irmão conseguiu salvar, graças a Deus”, contou o jovem.
Ele diz que ficou em estado de choque com a destruição, que muitos amigos estão desaparecidos e que perdeu praticamente tudo.
“A casa foi quase toda embora. Na hora que vi o morro, fiquei em estado de choque”, detalhou o rapaz.
Reconstrução
Na noite de quinta, o governo federal começou a liberar verba para a reconstrução da cidade e contenção de danos. Foi destinado R$ 1,67 milhão para a compra de cestas básicas, kits de higiene pessoal, materiais de limpeza, colchões, cobertores e lençóis.
Houve ainda o repasse de R$ 655,7 mil para a limpeza urbana e a desobstrução de canais, com a contratação de auxiliares de serviços gerais, encarregado geral de obras, caminhões e escavadeiras.










































