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Brasil

Instituições ligadas ao Banco Master e liquidadas pelo BC chegam a 8

Desde 18 de novembro, já foram liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central oito instituições com alguma relação com o Master

18/02/2026 12:07, atualizado 19/02/2026 14:32
Michael Melo/Metrópoles
Imagem colorida de sede do Banco Master

Desde 18 de novembro de 2025, o Banco Central (BC) já realizou a liquidação extrajudicial de oito instituições financeiras com alguma ligação com o Banco Master. Destas, seis pertenciam ao conglomerado do Master.

No dia 18/11, foram emitidas quatro determinações de liquidações extrajudiciais para quatro integrantes do conglomerado financeiro do Master. São elas: Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A. e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Além das liquidações, no dia 18 de novembro o Banco Central decretou o Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Master Múltiplo S.A. e nomeou para executar a administração especial temporária, com plenos poderes, a EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA.

O ano de 2026 começou com novas liquidações pela autoridade monetária. Em 15 de janeiro, o processo foi aplicado à Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que respondia pela denominação de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

A Reag é investigada por supostamente manter fundos que facilitavam a constituição de empresas laranja. Conforme as apurações da Polícia Federal (PF), o Master emprestava recursos a empresas supostamente laranja.

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Essas empresas realizavam a aplicação de dinheiro em fundos da Reag em um sistema de retroalimentação. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões.

Ainda em janeiro, no dia 21, foi realizada a liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, também pertencente ao conglomerado do Banco Master. O motivo foi a capacidade de honrar compromissos.

As duas últimas liquidações com ligação com o Master foram realizadas pelo Banco Central nesta quarta: do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A..

De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do Pleno, com deterioração da situação de liquidez, e também por desrespeito às normas que disciplinam a atividade, além da não observação das determinações da autoridade monetária.

O Banco Pleno pertence ao empresário Augusto Ferreira Lima. Ele é ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master e, inclusive, foi preso na Operação Compliance em novembro passado.

Confira a lista das liquidações:

  • Banco Master S.A. – 18/11/2025;
  • Banco Master de Investimento S.A. – 18/11/2025;
  • Banco Letsbank S.A. – 18/11/2025;
  • Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18/11/2025;
  • Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15/1/2026;
  • Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21/1/2026;
  • Banco Pleno S.A. – 18/2/2026;
  • Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18/2/2026.

Impacto no FGC

A série de liquidações extrajudiciais iniciada pelo Banco Central em 18 novembro de 2025 já impactou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em valor perto de R$ 51,8 bilhões.

O FGC é uma espécie de seguro que garante o ressarcimento a usuários do Sistema Financeiro Nacional (SFN), sob determinadas condições, em caso de liquidação de bancos e afins.

A cobertura máxima pelo fundo é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. No entanto, há ainda uma trava com limite de R$ 1 milhão dentro do período de 4 anos.

Caso Fictor

O Grupo Fictor protocolou, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), um pedido de recuperação judicial. A holding detém uma dívida de, aproximadamente, R$ 4 bilhões.

A relação da instituição com o Master vem da tentativa de adquirir o banco pertencente a Vorcaro. Em 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. A operação não foi concretizada por causa da liquidação realizada no dia seguinte.