Líder do governo Lula, Jaques Wagner entra na mira da Compliance Zero
Operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (18/6) tem como principais alvos Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima

O líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), está entre os principais alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (18/6). A ação investiga suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e esquemas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em marcço deste ano, o Metrópoles relatou, na coluna da Milena Teixeira, que uma empresa em nome da nora do líder de Wagner estava na folha de pagamento do Banco Master. Estudante de psicologia, graduada em direito e florista, Bonnie de Bonilha foi contratada para prospectar operações de crédito consignado para o banco de Daniel Vorcaro.
Bonilha é casada com o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, enteado do senador petista.
O contrato com o Master foi firmado por meio da BK Financeira, fundada em 2021. Nessa empresa, Bonnie é sócia do advogado Moisés Dantas.
“Somos sócios desde 2022, e o serviço prestado não foi de consultoria, mas de prospecção e indicação, em caráter de exclusividade, de operações e convênios de crédito consignado, modalidade existente em todo o Brasil”, afirmou Dantas ao Metrópoles.
Segundo ele, “todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal, e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”.
Na ocasião, o senador Jaques Wagner afirmou que “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada” e que cabe exclusivamente à empresa prestar os devidos esclarecimentos sobre suas atividades e contratos celebrados.
Cesta do Povo
Uma outra ligação do senador baiano com o Master passa pela privatização da antiga Cesta do Povo, rede de supermercados administrada pelo governo da Bahia. O processo foi conduzido entre 2017 e 2018, período em que Jaques comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.
Na licitação, o empresário e ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, também alvo da Compliance Zero, venceu a disputa pela aquisição da estatal. Entre as negociações, estava o Cartão Cesta, programa voltado a servidores públicos que, posteriormente, deu origem ao CredCesta, modalidade de crédito consignado.
Anos depois, Guga Lima passou a integrar a sociedade do então Banco Máxima, que mais tarde mudou de nome para Banco Master. O CredCesta foi incorporado pela instituição e se tornou uma das principais operações do banco.
A Polícia Federal passou a analisar as operações no âmbito da investigação que envolve o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master, para esclarecer como ocorreu a venda de ativos e a incorporação do CredCesta ao banco.
Jaques Wagner negou qualquer envolvimento com as fraudes investigadas no banco e se diz “tranquilo” em relação às apurações.
O parlamentar pontuou que o processo de venda da estatal foi legítimo, transparente e positivo para os cofres públicos baianos, uma vez que a empresa gerava dezenas de milhões de reais em prejuízos ao Estado, e afirma que não há nenhuma vinculação partidária ou política com as práticas ilícitas atribuídas à instituição financeira.

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