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Brasil

Vorcaro exigiu privacidade em hospedagem de Motta e Ciro em Lisboa

Vorcaro pediu controle de acesso em hospedagens pagas para Ciro Nogueira e Hugo Motta. "Pode ser o papa, que não vai entrar ninguém", disse

17/06/2026 18:25, atualizado 17/06/2026 18:29
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Waldemir Barreto/Agência Senado Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Hugo Motta, Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu um esquema especial de segurança e privacidade durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, que contou com a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) — que tiveram as hospedagens pagas pelo banqueiro.

A informação consta em relatórios da Polícia Federal (PF) que tiveram o sigilo derrubado, nessa terça-feira (16/6), pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a investigação, em junho de 2024, Vorcaro orientou um funcionário a reservar suítes no hotel Four Seasons, na capital portuguesa, para ele, Ciro e Hugo. O local também receberia um evento com a participação de políticos.

Após a confirmação das reservas, Vorcaro enviou uma mensagem de áudio demonstrando preocupação com a privacidade do encontro. Segundo a PF, ele pediu que fossem adotadas medidas para impedir a circulação de pessoas não autorizadas nas áreas reservadas ao grupo.

Em um dos trechos analisados pelos investigadores, Vorcaro afirma que somente pessoas previamente autorizadas poderiam ter acesso ao local. Ele também menciona a necessidade de restringir o uso dos elevadores e de manter alguém responsável pelo controle de entrada no andar reservado.

Pode ser o papa, que não vai entrar ninguém que não esteja na lista (…) Tem que ter alguém lá embaixo. Quando você sai do elevador, já dá para ver tudo, quem está e o que está acontecendo. A gente não pode deixar acontecer igual aconteceu em Nova York, que venham pessoas, falam que vão pegar um elevador para outro andar e clica lá no nosso andar. Tem que ficar alguém dentro do elevador, de repente, para evitar isso”, afirmou Vorcaro em em áudio decupado pela PF.

Na terça-feira (16/6), Hugo Motta comentou as revelações e disse  “não ver problema” no custeio da hospedagem por Vorcaro.

“Os órgãos de fiscalização estão trabalhando. Tenho muita tranquilidade sobre as minhas relações e defendo que as investigações possam acontecer. Tenho muita tranquilidade em relação a isso […]. Não vejo problema. Foi um evento corporativo, um encontro jurídico que participei nesse ano já como presidente da Câmara. Não vejo problema algum”, disse o presidente da Câmara.

Procurado pelo Metrópoles, Ciro Nogueira não respondeu sobre as novas revelações da PF.

Viagens, restaurantes e hotéis de luxo

A viagem a Portugal é um dos episódios citados no relatório enviado pela PF ao STF no âmbito da investigação sobre a relação de Vorcaro com autoridades públicas.

Segundo os investigadores, o empresário teria custeado despesas de viagens internacionais de Ciro Nogueira, incluindo passagens, hospedagens e outras despesas. Em um trecho do documento, os investigadores afirmam que as vantagens oferecidas ao senador fariam parte de um “pacote completo de mimos”.

A corporação apura se o senador teria atuado em favor de interesses do empresário no Congresso em troca de benefícios custeados por ele. Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O relatório enviado pela PF também traz uma série de fotos do ex-dono do Banco Master ao lado do senador. Os registros mostram os dois juntos em viagens internacionais que, segundo os investigadores, tiveram despesas pagas pelo banqueiro.

Veja fotos:

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Ciro Nogueira e Daniel Vorcadro
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em jatinho
Banqueiro Daniel Vorcaro e senador Ciro Nogueira
Senador Ciro Nogueira e banqueiro Daniel Vorcaro
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Senador Ciro Nogueira e banqueiro Daniel Vorcaro

Reprodução/Polícia Federal
Ciro Nogueira e Daniel Vorcadro
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Ciro Nogueira e Daniel Vorcadro

Reprodução/PF
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em jatinho
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Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em jatinho

Reprodução/Polícia Federal
Banqueiro Daniel Vorcaro e senador Ciro Nogueira
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Banqueiro Daniel Vorcaro e senador Ciro Nogueira

Reprodução/Polícia Federal

Gastos

A Polícia Federal estima que os gastos relacionados às viagens internacionais de Ciro Nogueira superem R$ 500 mil. O valor, no entanto, ainda está sendo apurado e pode ser maior, de acordo com os investigadores.

Entre os episódios citados está uma troca de mensagens envolvendo o restaurante Gigi, na França. Segundo a PF, o responsável pelo estabelecimento informou que ficaria encarregado da conta do convidado. Vorcaro respondeu orientando que o “principal convidado” seria Ciro Nogueira. A despesa no local foi de US$ 1.981,12, cerca de R$ 10 mil na cotação atual.

O relatório também aponta que o empresário teria pago uma suíte Royal no hotel Park Hyatt New York para o senador. O custo da hospedagem teria chegado a US$ 47.779,80, o equivalente a aproximadamente R$ 242,5 mil. Outra viagem mencionada pela investigação ocorreu em Lisboa, em Portugal. Segundo a PF, Vorcaro desembolsou R$ 91,2 mil para custear a participação de Ciro em um evento na capital portuguesa.

Já em Courchevel, os investigadores afirmam que as despesas relacionadas à viagem do senador e de Flávia Roberta Rosalen ultrapassaram R$ 1,8 milhão. O relatório cita, ainda, contas de R$ 63,6 mil e R$ 58,1 mil pagas em restaurantes frequentados pelo grupo.

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