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Brasil

Letalidade policial: 64,8% das vítimas eram negros em 2025, diz estudo

O estado aponta que 64,8% das vítimas eram jovens negros de até 29 anos. Dados apontam para o aumento no número total de mortes

01/07/2026 07:26
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Fabiano Rocha/Agência O Globo
Foto colorida de megaoperação Policial nos Complexos do Alemão e Penha - Metrópoles

De acordo com informações divulgadas pela Rede de Observatórios da Segurança, que lança nesta quarta-feira (1º/7) a sétima edição do estudo anual “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, 64,8% dos mortos em operações policiais no Brasil, durante o ano de 2025, foram jovens negros de até 29 anos, majoritariamento moradores de periferias ou favelas. Dentro deste total, foram 2.804 vítimas, entre elas, 312 crianças e os adolescentes.

Os dados foram fornecidos pelas secretarias de segurança de nove estados brasileirosAmazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Conforme o levantamento, 4.330 pessoas foram vítimas da letalidade policial em 2025, um aumento de 6,4% na comparação com o ano anterior.

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A Rede de Observatórios é uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança, fenômenos de violência e criminalidade em nove estados.

Segundo os pesquisadores, na média dos estados monitorados, pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. O cálculo foi feito com base nas taxas de mortes decorrentes de intervenção policial por 100 mil habitantes, calculadas separadamente para a população negra e branca.

Qualidade dos dados

O relatório destaca a “opacidade e a qualidade” dos dados fornecidos pelas secretarias de segurança pública. Os pesquisadores apontam que estados como Maranhão e Ceará utilizam a categoria “não informado” para ocultar o perfil racial de, respectivamente, 54,9% e 57,5% de suas vítimas.

“A pesquisa comprova que, à medida que o governo estadual qualifica a coleta e preenche os dados corretamente, o recorte racial fica ainda mais nítido, sendo a falta destas informações não apenas uma falha burocrática, mas uma omissão que insiste em invisibilizar o recorte racial da letalidade estatal”, diz o instituto.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a forma como a dinâmica da letalidade policial tem se reconfigurado com a expansão e articulação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em direção às regiões Norte e Nordeste.

Segundo o relatório, o cenário desencadeia “respostas governamentais baseadas exclusivamente na lógica da militarização e do confronto”.

Como resultado, quatro estados registraram o maior número de mortes de suas séries históricas desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834).