A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram, nesta terça-feira (19/2), a Operação Ad Infinitum, que representa a 60ª fase da Lava Jato. O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, identificado como o operador do PSDB, foi preso. Além disso, foram cumpridos 12 mandados de buscas e apreensão. Alguns dos endereços estão ligados ao ex-ministro de Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira.

A operação investigou um esquema de pagamento de R$ 130 milhões em propinas pela Odebrecht a políticos. As atividades aconteceram entre 2010 e 2011 e tinham como um dos objetivos irrigar campanhas eleitorais. Paulo Preto, apontado como o operador do esquema, já havia sido indiciado em outras fases da Lava Jato. Ele é suspeito de ter fornecido parte dos recursos para a empresa.

Paulo Preto foi levado para a sede da Polícia Federal em São Paulo. Posteriormente, ele será encaminhado para a Superintendência do Paraná, onde será interrogado.

Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Em nota, a PF informou que o objetivo é apurar a existência de um complexo e sofisticado método de lavagem de dinheiro envolvendo o repasse de quantias milionárias ao chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, por meio da atuação de operadores financeiros.

O nome da operação deve-se ao fato de o caso parecer ser uma repetição do modo de atuação de alguns integrantes da organização criminosa, remetendo a um ciclo criminoso que nunca termina. Também foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados.

Início das investigações
As investigações tiveram início a partir de depoimentos e colaborações colhidas dos próprios funcionários da Odebrecht e de doleiros investigados em fases anteriores da operação. O trabalho permitiu apurar que, entre os anos de 2010 e 2011, um dos investigados manteve em território brasileiro cerca de R$ 100 milhões em espécie e, ao longo desse período, repassou ao Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, para que possibilitasse um caixa para financiamento de campanhas eleitorais e pagamento de propina a agentes públicos.

Para tanto, a fim de ver recebido o dinheiro de volta, após o empréstimo ilícito, o investigado principal se valeu da cooperação de operadores financeiros que atuavam lavando o dinheiro devolvido pela Odebrecht por meio de empresas e contas no exterior que passavam, assim, a justificar os recursos usados indevidamente.

Bunker
Em um dos endereços alvo de buscas e apreensões na manhã desta terça-feira, Paulo Preto mantinha guardado o dinheiro de propinas. “O bunker de Paulo Preto tinha o dobro do bunker do Geddel [Vieira Lima]”, disse o procurador da República Roberson Pozzobon. Segundo ele, as notas eram colocadas ao sol com frequência para evitar mofos devido à umidade do quarto.

Pozzobon informou que Paulo Preto estava envolvido em um complexo sistema de operação casada de lavagem de dinheiro tanto no Brasil quanto no exterior. (Com agências)