Suspeito trabalhava de forma “oculta” na campanha de Richa, diz MPF

Político foi preso pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e também é alvo da Lava Jato

Marcelo Camargo/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil

atualizado 11/09/2018 21:55

Durante entrevista coletiva à imprensa sobre a 53ª fase da Operação Lava Jato realizada na manhã desta terça-feira (11/9), na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba (PR), o procurador da República Diogo Castor de Mattos afirmou que os pedidos de prisão temporária expedidos para alvos sob investigação na Operação Piloto foram necessários, pois “evidências novas mostraram que dois deles continuavam atuando em atividades suspeitas”.

Conforme informou Mattos, “um deles estaria trabalhando de forma oculta na campanha do ex-governador do Paraná Beto Richa”, que é candidato ao Senado nas eleições deste ano. O político foi preso nesta manhã pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do estado do Paraná, além de ser investigado na Lava Jato.

A nova fase da operação, deflagrada nesta terça, mira suposto pagamento milionário de vantagem indevida em 2014, pelo Setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht, em favor de agentes públicos e privados no Paraná. Em contrapartida, teria ocorrido possível direcionamento do processo licitatório para a duplicação, manutenção e operação da rodovia estadual PR-323 na modalidade parceria público-privada (PPP). São cumpridas ordens da Justiça Federal e estadual.

Além de Richa, foram detidos temporariamente a esposa dele, Fernanda Richa, e Deonlison Roldo, que é ex-chefe de gabinete do político. Diogo Castor de Mattos informou ainda que “outro [investigado] continuava a movimentar volumes expressivos em nome de diversas pessoas jurídicas”. Ao todo, são 15 mandados de prisão temporária. Cerca de 180 policiais federais cumprem 36 ordens judicias nas cidades de Salvador, São Paulo, Lupianópolis, Colombo e Curitiba.

Eleições 2018
A Operação Piloto apura supostos pagamentos de propinas realizados no ano eleitoral de 2014. No entanto, apesar de considerar “prematuro” afirmar a existência de caixa 2 na atual campanha de Beto Richa ao Senado, o procurador afirmou que “alvos têm demonstrado que estavam trabalhando na coordenação da campanha e tentavam não aparecer formalmente”.

Segundo o Ministério Público Federal, “interceptações telefônicas demonstraram que Deonilson Roldo está atualmente coordenando de forma oculta a campanha” do ex-governador. Em nota, o órgão ainda informou que “Jorge Theodócio Atherino, empresário apontado como operador financeiro de Richa, e Tiago Correia Adriano Rocha, braço direito de Jorge e responsável por financeiras dos empreendimentos do executivo, são alvos de prisão nesta fase da Lava Jato”.

Condenações
Essa não foi a primeira condenação do político neste ano. Em 22 de agosto, o Ministério Público Eleitoral do Paraná (MPE-PR) ajuizou impugnação da candidatura de Richa (PSDB) ao Senado.

Para o órgão, o tucano encontra-se inelegível. Ele foi condenado em segunda instância, no início do mês, por uso indevido de verba pública em uma “parada técnica” em Paris, na França, durante viagem oficial que fez com a esposa, Fernanda Richa, em 2015, quando era o governador do estado.

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