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O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB) teria recebido R$ R$ 11,1 milhões da construtora Odebrecht. Deste valor, R$ 4,5 milhões foram depositados no exterior. Por causa disso, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Picciani à Justiça pelo crime de evasão de divisas, na noite de quarta-feira (6/12), além dos crimes de cartel, fraude a licitações, corrupção, lavagem de ativos e organização criminosa.

De acordo com a denúncia, Picciani recebeu a propina da Odebrecht de 2008 a 2014. A informação está em uma planilha recebida pelo órgão, após a formalização do acordo de leniência com a Odebrecht. Os dados sobre o parlamentar foram repassados ao MPF pelo executivo da empresa Benedicto Júnior, que firmou acordo de colaboração premiada com o MPF.

Benedicto informou que a alcunha de “Grego” na planilha se referia a Picciani. O empresário, que integrava o núcleo econômico responsável por realizar o pagamento de propina aos deputados estaduais, afirmou que o repasse se dava por meio de doações oficiais a campanhas políticas e por meio de pagamentos clandestinos. Muitos foram registrados no sistema de contabilidade paralela desenvolvido pela empresa, conhecido por Drousys.

No Rio, os pagamentos de propina pela Odebrecht a Picciani seriam feitos pelo doleiro Álvaro Novis. Teriam sido recebidos por Jorge Luiz Ribeiro, operador financeiro de Picciani, a quem cabia receber e ocultar o dinheiro da corrupção, segundo a denúncia.

De acordo com o MPF, os pagamentos de propina a Picciani tiveram por objetivo garantir que o deputado intercedesse por  interesses da empresa.  Isso teria ocorrido por meio da edição de atos normativos pelo Legislativo ou pelo  direcionamento de eventuais licitações e contratos a serem realizados pelo executivo durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), dentre outras vantagens de interesse do grupo empresarial.

“Vale anotar que no caso de Jorge Picciani, os pagamentos não cessaram, mesmo quando ficou sem mandato (2011/2014). De um lado, por configurarem-se em dividendos de “serviços” já prestados. De outro, pela inegável necessidade do apoio desse influente político que, mesmo sem mandato, presidia o diretório estadual do PMDB-RJ.

Para que a Organização Criminosa operante no governo de Sérgio Cabral, pudesse prosseguir na prática dos seus crimes, era necessário continuar contando com o apoio de Jorge Picciani, cuja ascendência e liderança sobre os parlamentares estaduais sempre foi notória”, afirmaram os procuradores.

A reportagem tenta ouvir as defesas de Picciani e Cabral. Ambos estão presos na Cadeia Pública José Frederico  Marques, em Benfica, na zona norte carioca, com outros políticos investigados.

 

 

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