João de Deus é alvo de mais 11 denúncias recebidas pelo MP Goiás

Os casos datam de 1976 a 2016. Quatro deles ainda não prescreveram e serão levados à Justiça, podendo somar às penas por abusos sexuais

Foto: Filipe Cardoso/Especial para o MetrópolesFoto: Filipe Cardoso/Especial para o Metrópoles

atualizado 02/12/2019 15:35

Uma nova denúncia de estupro contra vulneráveis, tendo como alvo o médium João de Deus, foi aberta pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). O processo, protocolado nesta segunda-feira (02/12/2012), contém mais 11 vítimas dos abusos sexuais e é a 11ª denúncia realizada pela força-tarefa do MP contra João Teixeira de Faria, 77 anos.

De acordo com a promotora Renata Ribeiro, integrante da equipe de trabalho, quatro dos novos relatos ainda não prescreveram e serão levados à Justiça para execução penal. “Os casos ocorreram entre 2010 e 2016 e as vítimas são originárias do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e duas da Bahia”, disse.

Os crimes que prescreveram ocorreram entre 1976 e 2008. “Chama a atenção a denúncia de duas vítimas que, à época do crime já prescrito, seriam adolescentes: uma de 12 e outra de 14 anos”, detalhou a promotora.

MPGO/Divulgação
A promotora Renata Ribeiro, do MPGO, afirma que, das 11 novas denúncias, quatro serão levadas à Justiça porque ainda não prescreveram
57 vítimas de abusos sexuais

Com os novos relatos, o MPGO contabiliza 144 vítimas de abusos sexuais contra vulneráveis cometidos pelo médium de Abadiânia (GO). Desse total, 57 estão aptos a julgamento em 11 ações penais separadas.

Para a equipe de trabalho, o modus operandi de João de Deus incutia mais medo e criava um ambiente propício para a prática dos abusos sexuais. “Além de explorar uma vulnerabilidade ínsita a essas vítimas que já estavam acometidas, explorava e intensificava a fragilidade fazendo ameaças espirituais com, por exemplo, promessas de que as vítimas sofreriam maus futuros”, acrescentou Renata.

Desde o início das investigações, os ministérios públicos de todo o país receberam mais de 300 denúncias. O caso estourou em dezembro de 2018 e ocasionou na prisão preventiva do médium, ocorrida em 16 de dezembro.

Apesar de continuar sob custódia no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, o MPGO pediu nova prisão cautelar para reforçar a necessidade de manter o médium afastado da sociedade. O argumento é que a segregação favorece o aparecimento de novas vítimas, que ainda temem represálias do próprio João de Deus ou de pessoas ligadas a ele.