Grupo de caminhoneiros pressiona STF para manter 2ª instância

Os órgãos de segurança e setores de inteligência do governo têm monitorado a situação tanto nas redes quanto nas estradas

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 22/10/2019 15:06

Desde a semana passada, os olhares estão voltados para o Supremo Tribunal Federal (STF), que julga nesta quarta-feira (22/10/2019) a possibilidade de execução da pena após prisão em 2ª instância. Os ministros têm sofrido pressões para que a jurisprudência não seja alterada, mas algumas passaram dos limites e levaram a Corte a ampliar o sistema de segurança. Ligações e mensagens têm chegado ao gabinete dos ministros.

Os órgãos de segurança e setores de inteligência do governo têm monitorado a situação tanto nas redes quanto nas estradas. Além disso, relatórios são produzidos para analisar o que é “bravata” e o que pode ganhar força.

A assessoria informou que “as ameaças que se mostrarem violentas serão enviadas para o âmbito do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes”.

Nos últimos dias, caminhoneiros bolsonaristas aparecem em vídeos que circulam nas redes sociais exigindo que a Suprema Corte mantenha a autorização de que um réu seja preso assim que for sentenciado em 2º grau. Eles ainda ameaçam novas paralisações caso o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja beneficiado e solto com uma hipotética mudança de jurisprudência.

“Se vocês soltarem tudo que é ladrão, principalmente o maior de todos eles, que é o Lula, vocês vão ver a maior paralisação que este país já teve. E quando os caminhoneiros param, o Brasil para. Fica esperto, Toffoli”, diz um dos motoristas autônomos. Outro, ameaça: “Ou vocês trabalham direito ou vão ver o que vai acontecer. Isso não é um recado, não. É uma promessa”.

Assista aos vídeos:

As ameaças chegaram até os gabinetes dos ministros. Após o recebimento de e-mails suspeitos, órgãos de segurança do governo começaram a investigar as mensagens e avaliar o nível de periculosidade. A Corte começa a julgar o tema nesta quarta.

“Coisa de maluco”
Procurado pelo Metrópoles, um dos líderes do movimento dos caminhoneiros Wanderlei Alves, conhecido como Dedéco, afirmou que as manifestações de integrantes da categoria são “coisa de maluco”. Ele disse que as ameaças partiram de um grupo isolado e não representam a posição de todos.

“Caminhoneiros lutam por pauta de caminhoneiros. O STF é um problema para o povo brasileiro. Se não estão satisfeitos com a Suprema Corte, que vão às ruas protestar”, declarou sobre os colegas que fizeram parte das gravações. “Em hipótese nenhuma eu, como caminhoneiro, me envolvo com nenhum problema de nenhum dos Três Poderes, que são independentes”, continuou.

Apesar de não ter defendido as ameaças, Dedéco afirmou ser contra algumas decisões da Corte. “Como cidadão, acho um absurdo o que o STF vem fazendo. Eles decidem praticamente como vão ser as leis do país pelo entendimento deles e isso é errado. Tem que seguir a Constituição do país”, avaliou. (Com Agência Estado)