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Alexandre Pinto, ex-secretário de obras do Rio de Janeiro durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), admitiu ter recebido R$ 600 mil em propina. A confissão foi feita pela primeira vez, em depoimento para a 7ª Vara Federal Criminal, na tarde desta segunda-feira (11/6).

O ex-secretário afirmou que as vantagens indevidas foram obtidas durante o seu trabalho na Prefeitura do Rio, mas não quis entrar em detalhes sobre como foi feito. “As denúncias (do Ministério Público Federal) têm fundamento”, admitiu o engenheiro civil.

“Obtive (cerca de R$ 600 mil) de maneira ilícita, através de propina que recebi. Mas preferia não dizer sobre os contratos por orientação da minha advogada”, disse.

Alexandre Pinto também afirmou que dissimulou o dinheiro em depósitos feitos na conta de sua mãe e na compra, com pagamento em espécie, de uma sala comercial em nome de seu filho. No entanto, eximiu os familiares de responsabilidade: segundo declarou, os parentes não sabiam da origem ilícita dos recursos.

“Meus filhos e minha mãe me pediram para falar toda a verdade. Por isso, estou falando a verdade para a Justiça. É um momento difícil que toda pessoa passa. Não me sinto injustiçado. Estou aqui para confessar os meus erros”, disse o engenheiro civil ao juiz Marcelo Bretas.

O ex-secretário carioca pediu perdão. “Tenho que pedir perdão para a sociedade. É difícil, mas é importante que eu peça perdão pelos meus erros. Foi um momento de fraqueza, um momento na vida em que a gente é tentado e, infelizmente, a gente acaba aceitando o que não deve”, afirmou.

É esperado que, nos próximos depoimentos, Alexandre Pinto entre em mais detalhes sobre como obteve dinheiro ilícito na Prefeitura do Rio. Além do crime de lavagem de dinheiro, o engenheiro, que está preso, é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar de um suposto esquema de desvio de R$ 36 milhões das obras municipais da Transcarioca e de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

De acordo com o MPF, parte dos recursos obtidos pelo ex-secretário foi para o exterior “de forma sofisticada”, por meio de empresas offshore operadas por terceiros. Um delator do esquema informou que Alexandre Pinto tem mais de R$ 6 milhões em contas no exterior, valor que será objeto de restituição à Justiça Federal.

 

 

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