Emílio Odebrecht: obras do sítio de Atibaia não tiveram contrapartida

Empresário afirmou que reformas foram feitas a pedido da então primeira-dama Marisa Letícia

PAULO GIANDALIA/ESTADÃO CONTEÚDO/AEPAULO GIANDALIA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

atualizado 07/01/2019 20:26

A defesa do empresário Emílio Odebrecht alegou, nesta segunda feira (7/1), que as reformas no sítio de Atibaia, supostamente atribuídas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não tiveram nenhuma relação com qualquer contrato entre as empresas do grupo e a administração pública. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.

O relato compõe os documentos de alegações finais no processo julgado pela juíza Gabriela Hardt, que substitui Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). As alegações finais são entregues como última fase do processo antes da declaração da sentença por parte do magistrado.

O documento diz que “a aprovação do pedido da então primeira-dama, Marisa Letícia, não teve, portanto, relação direta com qualquer contrato celebrado entre o Grupo Odebrecht e a administração pública, seja com a Petrobras ou outra companhia. Tratou-se exclusivamente de retribuição ao ex-presidente Lula pela sua atuação em favor do Grupo Odebrecht, sem contrapartida específica”, diz trecho.

Emilio Odebrecht afirmou que as reformas foram feitas à pedido da então primeira-dama, como parte de um plano de surpreender Lula ao final de sua presidência. Ainda segundo O Globo, o empresário também relatou uma reunião com o ex-presidente pouco antes de terminar seu último mandato, na qual comentou a respeito da reforma do sítio. Após a ausência de comentários de Lula, Emilio supôs que o ex-presidente tinha conhecimento das reformas.

Contradições
Mais cedo, o empresário Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS, reafirmou que Lula solicitou pessoalmente as reformas no sítio em Atibaia, e que as obras foram pagas pela empreiteira e descontadas da propina destinada ao PT por atuações favoráveis à empresa na Petrobras.

Conforme afirmou Pinheiro, a OAS pagou as obras de impermeabilização do lago da propriedade e contratou a empresa Kitchens pelo valor de R$170 mil para fazer os armários planejados da cozinha.

As alegações finais também dizem: “Léo Pinheiro narrou, ainda, que recebeu orientações expressas de Lula para manter em sigilo as reformas executadas no sítio, esclarecendo que partiu do próprio ex-presidente pedido para que os funcionários da OAS não utilizassem uniformes ou qualquer outra identificação da empresa”.

Lula
Em depoimento, o ex presidente negou ter conhecimento sobre as reformas realizadas no sítio. A defesa do ex-presidente também reafirmou que a propriedade do Sítio Santa Bárbara “pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo.”