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A Polícia Federal (PF) analisou as quebras do sigilo bancário do governador Luiz Fernando Pezão (MDB), preso na semana passada na Operação Boca de Lobo, e concluiu que ele só realizou 11 saques de dinheiro entre 2007 e 2014. Para a PF, essa baixa movimentação é indício de que o governador se beneficie de “recursos financeiros de conta registrada em nome de terceiros ou mesmo possua muito dinheiro disponibilizado em espécie”. A notícia foi divulgada pelo O Globo.

Segundo a reportagem, os saques só passaram a ser feitos por Pezão com frequência após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), em novembro de 2016.

O governador é acusado pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de receber cerca de R$ 40 milhões em propina, sendo a maior parte via entregas de dinheiro vivo para seus emissários. A PF obteve indícios de que os pagamentos ocorreram ao menos no período de 2007 – a partir da gestão de Sérgio Cabral, cujo vice era Pezão – a junho de 2015 – já com Pezão governador.

Segundo as investigações, na maior parte desse tempo, Pezão recebeu mesada de R$ 150 mil como “uma espécie de salário extraoficial” por ordem do ex-governador do Rio de Janeiro. Durante esse período, o atual governador carioca praticamente não fez saques de sua conta bancária: eles só aparecem com frequência a partir de novembro de 2016, mesmo mês no qual Cabral foi preso pela Lava Jato. A partir de então, os saques variaram de R$ 10 a R$ 3.000, de acordo com relatório da Polícia Federal sobre a movimentação financeira do governador, obtido pelo O Globo.

De acordo com a reportagem, os investigadores analisaram nove contas abertas em nome de Pezão, sendo quatro correntes, quatro poupanças e uma conta-salário. Dentre elas, apenas duas concentraram a maior parte das movimentações financeiras, mas a quantidade de saques foi considerada baixa e “destoante” para a Polícia Federal. O relatório da movimentação bancária de Pezão é um dos mais fortes indícios apontados pela PF de que o governador estaria ocultando os recursos provenientes de propina, registra o jornal carioca.

A defesa do governador já afirmou que ele “nega veemente” o recebimento de propina no caso. Procurada para comentar o relatório de movimentação bancária, a defesa ainda não respondeu ao contato da reportagem. Nesta segunda, os advogados do político entraram com pedido de revogação da prisão do emedebista.