Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Brasil

RJ: Justiça manda PF investigar deputado do PL por exibir arma a psolistas

Alexandre Knoploch também deverá entregar armas e está proibido de se aproximar de militantes do PSol

30/09/2026 22:15, atualizado 30/09/2026 22:21
Reprodução/ Redes sociais
Foto colorida do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) mostrando arma de fogo durante uma confusão com integrantes da campanha do também deputado estadual Flávio Serafini (Psol-RJ) - Metrópoles

A desembargadora eleitoral Tathiana de Carvalho Costa determinou, nesta quarta-feira (30/9), a abertura de um inquérito da Polícia Federal contra o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), candidato à reeleição que mostrou uma arma durante uma confusão com militantes do PSol na Tijuca, no Rio de Janeiro.

Na mesma decisão, a magistrada suspendeu o porte de armas de Knoploch até 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, e determinou que ele entregue à PF, em até 24 horas, todas as armas de fogo registradas em seu nome. O deputado declarou à Justiça Eleitoral possuir sete armas, entre elas um fuzil e uma carabina.

Tathiana proibiu o parlamentar, até 5 de outubro, de frequentar o comitê e atos de campanha do deputado estadual Flávio Serafini (PSol). Alexandre Knoploch também não poderá manter contato com pessoas que estavam na confusão.

A decisão será submetida ao referendo do plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O caso ocorreu na última segunda (28/9), na Tijuca, zona norte do Rio. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, Alexandre Knoploch fazia campanha na região quando foi até o comitê de Serafini para reclamar de uma música que estava sendo tocada no local.

A discussão aumentou depois que uma pessoa fez uma referência à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com os relatos apresentados à Justiça Eleitoral, Knoploch usou spray de pimenta contra pessoas que estavam na calçada, atingindo ao menos três pessoas.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Na sequência, ainda segundo o Ministério Público, o deputado exibiu uma arma de fogo que carregava sob a camiseta. Um vídeo mostra o deputado estadual levantando a camisa e deixando a arma à mostra durante a discussão.

Em sua decisão, Tathiana classificou a conduta do deputado como “comportamento altamente reprovável”. Segundo ela, o inquérito sobre a confusão será conduzido pela PF e terá, inicialmente, 30 dias para ser concluído.

A investigação vai apurar suspeitas de impedir propaganda eleitoral, ameaça, lesão corporal e violência política de gênero. A PF também deverá verificar se Knoploch tinha autorização válida para portar a arma exibida durante a confusão.

“Há relato detalhado de múltiplas testemunhas, apontado em registro de ocorrência policial, vídeos, reportagens, a admissão pública do uso do spray pelo próprio requerido e a exibição da arma registrada em vídeo. Os fatos, se confirmados, configuram em tese crimes de ação penal pública, e três vítimas já manifestaram à autoridade policial o desejo de representar”, escreveu a magistrada.

Porte de armas

Ao determinar a suspensão do porte de arma, Tathiana afirmou haver risco de repetição de episódios semelhantes durante os últimos dias da campanha.

A magistrada citou um vídeo publicado por Alexandre Knoploch dez dias antes da confusão, no qual aparecia a mensagem: “A paciência acabou! Se não respeitar vou responder com spray de pimenta”. Também mencionou a publicação feita depois do episódio de segunda, na qual o deputado defendeu o uso do spray e afirmou que a política “é na guerra”.

“É preciso pontuar que o porte de arma jamais pode ser utilizado para a intimidação de adversários políticos. A violência armada é o exato oposto da democracia. Em um ambiente democrático, calcado nos regimes do pluralismo político e partidário, as interações devem se pautar na livre circulação de ideias e jamais no poder de intimidação da violência”, afirmou a magistrada.

Knoploch apresentou outra versão para a confusão. O deputado afirmou que se sentiu ameaçado por integrantes da campanha adversária e reconheceu ter usado o spray de pimenta. Em vídeo publicado depois do episódio, declarou: “Uso, sim, spray de pimenta pra qualquer um que tentar me agredir”.