Justiça determina que partes do relatório da ditadura sejam tarjados
Nome de chefe de Casa de Detenção foi tarjado de documentos da Comissão Nacional da Verdade disponibilizados por Arquivo Nacional
atualizado
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O nome de Olinto de Sousa Ferraz foi anonimizado em pelo menos 20 documentos sobre relativos à ditadura militar no país no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN). O ex-coronel da PM agora não pode ser encontrado em documentos do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), graças a uma decisão da Justiça Federal.
Movida por Daniel Queiroga Gomes, Marcos Olinto Novais de Sousa, Leandro Ribeiro Novais de Sousa e Maria Fernanda Novais de Souza Cavalcanti contra a União Federal no fim de 2019, o julgamento da ação, que esta sob segredo de Justiça, determinou o anonimato de Ferraz em todas as menções publicadas no relatório final da CNV.

A revelação foi feita pelo grupo de pesquisadores Giro da Arquivo, da Universidade Federal de Santa Maria.
Ele foi o responsável pela gestão Casa de Detenção do Recife, onde o militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR), Amaro Luiz de Carvalho, foi morto. Segundo à Secretaria de Segurança de Pernambuco na época, Amaro havia sido envenenado por seus próprios companheiros de cela, o que foi desmentido pelo resultado da perícia do caso, que constatou “hemorragia pulmonar decorrente de traumatismo de tórax por instrumento cortante”.
Com o trabalho da CNV, que investigou os crimes que ocorreram na ditadura militar, foi concluído que a morte de Carvalho se deu por ação de agentes do Estado. O ex-PM é apresentado pelos documentos como integrante da “cadeia de comando do órgão envolvido com a morte” e está entre os “agentes de graves violações de direitos humanos”.
Agora, as menções à Ferraz só podem ser vistas em versões do relatório publicadas antes da decisão. No Arquivo Nacional, o nome de Olinto aparece tarjado.
