Marieta Severo relembra ditadura militar e decisão de se afastar da TV

Atriz participou do Altas Horas e falou sobre as dificuldades causadas pelo "pior período de sua vida"

atualizado 26/12/2021 11:22

Marieta Severo CapaReprodução/TV Globo

No último sábado (25/12), Marieta Severo participou do Altas Horas e lembrou das dificuldades impostas pela ditadura militar. À época, a atriz decidiu se afastar da TV e até mudou de país por conta das ameaças que ela e Chico Buarque, seu ex-marido, receberam por conta do AI-5. Atualmente, Marieta segue em atividade nas telinhas e até assumiu os cabelos brancos.

Ao ser perguntada sobre o seu período de hiato na televisão, que durou cerca de 10 anos, Marieta ficou visivelmente desconfortável, mas explicou os seus motivos. “Isso foi há muito tempo, era na época da ditadura, essa época terrível que a gente espera que não volte nada semelhante. Existia uma censura e uma impossibilidade de Chico (Buarque) se apresentar na televisão. Achava que não era justo eu me apresentar com ele sendo censurado”, afirmou.

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“Foi por isso só. Porque eu comecei na televisão. Aliás, no mesmo ano, há milênios atrás, eu estreei no teatro, no cinema e na televisão. Então, eu fiquei uns 10 anos sem fazer televisão e o motivo foi esse, não foi nenhuma opção profissional de querer fazer mais teatro ou televisão, eu gosto muito dos três e muitas vezes eu fiz os três ao mesmo tempo. Mas foi esse o motivo de eu ter deixado de fazer televisão”, disse Marieta Severo.

Durante uma de suas apresentações mais icônicas, o decreto AI-5 foi instaurado no Brasil. A atriz, então, ficou um tempo afastada do país. “Eu tinha acabado de fazer Roda Vida, aqui no Rio de Janeiro. Logo depois, quando ele foi para São Paulo, eu não pude ir e estava grávida, então, o que aconteceu foi isso. Nós saímos do Brasil em janeiro de 1969 para ficar 20 dias e voltar, mas aí teve toda aquela história, o Caetano foi preso, Gil foi preso, a gente recebia muito recado que se Chico voltasse ele ia ser preso”, contou.

Foi nessa situação em que ela deu à luz Sílvia Buarque. “Então, eu estava com um barrigão e a gente resolveu não voltar e aí Silvinha nasceu na Itália por causa disso. Ficamos mais de um ano lá, mas por conta desse período tenebroso que alguns clamam de volta”, afirmou.

Ao final de seu discurso, ela refutou aqueles que pedem pela volta da ditadura militar. “Eu, com minha experiência, com minha vivência, de ter passado por esses períodos todos, eu digo que não tem nada pior. É insuportável você não ter liberdade, é insuportável viver sem democracia”, completou.

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