Mototaxista acusa militares: “Tiro com bala de borracha na testa”

Homem de 27 anos e mais dois ficaram 1 ano e 3 meses presos; acabam de ser absolvidos por flagrante de drogas que teria sido forjado

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atualizado 09/12/2019 17:20

Após ficar 467 dias preso por causa de uma operação no Complexo do Alemão, em 20 de agosto de 2018, um mototaxista de 27 anos, acusado injustamente por um crime que não cometeu, deixou o Complexo Penitenciário de Gericinó no último sábado (07/12/2019). De acordo com informações do jornal Extra, ele é um dos dez homens que denunciaram a prática de tortura em um quartel do Exército, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Em entrevista, o homem afirmou ter sido agredido com um taco de beisebol dentro de uma sala com luz vermelha no quartel, enquanto militares perguntavam onde havia fuzis escondidos na comunidade. “Logo que me encontraram, colocaram um lacre de plástico nas minhas mãos. Logo em seguida começou a tortura, com socos e chutes. Não sei quantos eram. Me colocaram deitado com a cara para o chão molhado. Tentei olhar para o alto e deram um tiro com bala de borracha na minha testa”, relembrou.

Segundo a vítima, os policiais implantaram provas falsas na hora da abordagem. “Um dos outros detidos estava com uma mochila. Os militares abriram e viram que só tinha roupas. Um dos militares pegou a mochila e a vestiu. Outra, maior, que já estava com eles, foi colocada no lugar. Essa estava cheia de drogas e munição. Falaram que nós estávamos com ela”, relatou. O mototaxista ainda reforça que não foi apenas a mochila que foi roubada. “Eu estava com um relógio, um cordão e um celular. Tudo foi roubado pelos militares.”

O homem teria sido colocado em uma cadeira, algemado, e os militares começaram a perguntar onde o tráfico escondia os fuzis. “Diziam que queriam me ajudar, que se eu apontasse podiam me ajudar. Cada vez que eu dizia que não sabia, me batiam. Eles usavam taco de beisebol, de madeira lisa, grossa e uma vara, mais fina. Fiquei duas horas lá dentro”, afirmou.

No último dia 29, um ano e três meses depois, o mototaxista e outros dois presos foram absolvidos: de acordo com a sentença, as agressões foram confirmadas pela perícia e não foram comprovadas as acusações dos militares de que os homens estavam com drogas.

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