*
 

Preso preventivamente, o empresário Joesley Batista — um dos donos do grupo J&F — desembarcou nesta sexta-feira (15/9) em São Paulo, em avião da Polícia Federal. Ele estava na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e vai prestar depoimento na 6ª Vara Criminal Federal da capital paulista.

A corporação afirmou que ele deve retornar ainda nesta sexta para o Distrito Federal.

A aeronave partiu do aeroporto de Brasília em torno das 9h e pousou em São Paulo por volta das 11h30.

Mais cedo, o executivo do grupo J&F Ricardo Saud, por sua vez, foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor do executivo, afirmou que a ida do empresário para a capital paulista ocorre por solicitação da corporação.

Joesley está detido desde o domingo (10). Nesta quinta (14), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do empresário e de Ricardo Saud, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Eles estavam detidos temporariamente por um prazo de cinco dias. A prisão preventiva não tem prazo final.

Interrogatórios
Joesley e Saud prestaram depoimento na PF nesta quinta. A oitiva ocorreu em investigação instaurada por determinação da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, para apurar o episódio envolvendo o conteúdo de conversa gravada entre os dois em que mencionam ministros da Corte.

O advogado da dupla disse que orientou os clientes a ficarem calados em razão da possibilidade de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rescindir o acordo de delação premiada firmado com o empresário, o que acabou se confirmando depois.

Janot rescindiu o acordo que dava imunidade para Joesley e Saud em troca de informações. O procurador também os incluiu na denúncia apresentada nesta quinta contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP) e integrantes do chamado “quadrilhão do PMDB” pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

O irmão de Joesley, Wesley Batista — outro dono da J&F —, também está detido preventivamente, desde quarta-feira (13). A ordem de prisão do empresário foi expedida pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Segurança
A decisão de conduzir Joesley a São Paulo foi tomada por questões de segurança, segundo a defesa do empresário. Kakay afirmou que não solicitou as transferências, apenas recebeu aviso e acatou.

“Temos uma preocupação muito grande com a segurança deles, mas quero ressaltar que a defesa não requereu absolutamente nada. Essa foi uma decisão da Polícia Federal que nós simplesmente acatamos. Eu confio na Polícia Federal, que tem competência e expertise para saber qual o melhor lugar para eles, até porque a responsabilidade sobre isso é da Polícia Federal”, disse.

A determinação de transferir Joesley para São Paulo, de acordo com o advogado, tem a ver com o fato de ele ter uma prisão preventiva decretada em São Paulo (relativa à Operação Tendão de Aquiles, que investiga uso indevido de informações privilegiadas pelos irmãos Batista em transações no mercado financeiro). Já Saud continuaria em Brasília porque só tem uma prisão decretada e pelo Supremo Tribunal Federal.

Kakay contou que ainda não foi informado oficialmente se a transferência de Joesley para a capital paulista é definitiva ou apenas para que o empresário possa depor na Operação Tendão de Aquiles. A investigação também tornou prisioneiro o irmão dele, Wesley Batista, na quarta. (Com informações das agências Brasil e Estado)

 

 

COMENTE

São PaulojbsJoesley Batista
comunicar erro à redação

Leia mais: Brasil