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Uma das mulheres que acusam João Teixeira de Faria, o João de Deus, de abuso sexual contou que sentiu a “mão melada” após ter sido forçada a colocá-la no pênis dele. A vítima, de 38 anos, disse ao O Globo que o médium a levou para uma sala de porta azul, ao lado de onde as cirurgias espirituais são realizadas, em Abadiânia (GO), e cometeu o crime.

Há mais de 40 anos, João de Deus faz atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola, no município goiano localizado a pouco mais de 100km de Brasília. Mensalmente, 10 mil pessoas são atendidas na “Casa” – a maioria, estrangeiras.

Segundo o relato da mulher ao O Globo, João de Deus colocou a mão entre os seios e na coxa por cima da roupa no momento em que eles estavam de costas um para o outro. Incomodada e com medo, ela chorou. “Ainda comigo de costas para ele, pegou minha mão, puxou para trás e colocou na barriga dele, logo abaixo do umbigo. Pedia que eu girasse nove vezes a mão”, detalhou.

Logo depois, o médium a teria colocado de frente. “‘E disse: Olha, calma, eu não estou com tesão, mas preciso fazer isso para te curar'”, relatou. Segundo a vítima, ele teria percebido a irritação dela e perguntou se queria parar. Ao fazer um gesto positivo, ele se afastou. A vítima disse ter pensado que havia acabado a “tortura”. Porém, ao ir em direção à porta, João de Deus teria evitado que ela saísse e colocou forçadamente a mão dela várias vezes no pênis.

Ele olhou para mim, pegou minha mão e simplesmente colocou no pênis dele. Puxei de volta, tirando. Ele pegava e colocava no pênis dele de novo. Eu não sei quantas vezes isso aconteceu. Novamente, ele falava ‘nove vezes’. Eu estava em pânico e não raciocinava. Não conseguia reagir e sair dali. Uma hora, quando mais uma vez ele colocou minha mão no pênis dele, ela ficou melada. Eu não fiquei fazendo movimento, só puxava minha mão de volta e ele colocava lá, forçadamente."
Vítima de 38 anos, moradora de São Paulo

O Globo ouviu relato de seis vítimas que têm entre 30 e 40 anos e identificou um padrão. Elas eram colocadas como últimas na fila de espera para o atendimento pessoal na Casa de Dom Inácio. A porta ficava trancada, e as luzes, apagadas. Elas eram tocadas nos seios pelo médium e/ou ordenadas a pegar no pênis dele. O abuso seria parte de uma “limpeza espiritual”.

Outros casos foram revelados pelo programa Conversa com Bial. O jornalista Pedro Bial e a repórter Camila Appel ouviram, individualmente, relatos de 10 pessoas com histórias parecidas de abusos. Por questões de tempo, a direção exibiu apenas quatro desses depoimentos na madrugada deste sábado (8/12). As brasileiras não quiseram se identificar por medo e vergonha.

A única que se dispôs a mostrar o rosto foi a coreógrafa holandesa Zahira Lieneke Mous. Ela conversou com Bial pela internet e, depois, no estúdio do programa. Acostumada a visitar o Brasil desde os 17 anos – por causa de um tio que mora em Minas Gerais –, ela ouviu falar de João de Deus pela primeira vez em 2014.

Precisando de ajuda espiritual e com traumas causados por um abuso sexual no passado, pesquisou tudo sobre o médium antes de visitar a Casa Dom Inácio de Loyola.

Reprodução/TV Globo

Coreógrafa holandesa foi a única que se dispôs a mostrar o rosto