João de Deus dormirá em presídio, em Aparecida de Goiânia

Médium ficará em cela individual, devido à idade e pela natureza sexual das acusações. Transferência será após "longo" interrogatório

atualizado 16/12/2018 23:16

foto Rafaela Felicciano/Metrópoles

Enviadas especiais a Goiânia (GO) – A Polícia Civil de Goiás informou que o médium João de Deus será transferido ainda na noite deste domingo (16/12) e passará a noite em um presídio. Ele ficará em uma cela individual no Núcleo de Custódia do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia (GO), na região metropolitana da capital. Superlotada e com infraestrutura precária, a unidade do sistema penitenciário do estado foi palco de série de rebeliões no início deste ano: no primeiro motim, nove presos morreram carbonizados, sendo dois também decapitados.

A rendição de João de Deus às autoridades policiais ocorreu por volta das 16h30, na zona rural de Abadiânia (GO). Ele chegou à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Goiânia, para prestar depoimento às 17h55. O interrogatório durou até quase 22h, quando o médium deixou o prédio da Deic para ser submetido à exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML): só após o exame, seguiu para o Núcleo de Custódia, onde deu entrada às 22h55.

Veja vídeos dos momentos em que João de Deus chega e deixa a Deic, em Goiânia:


Segundo o delegado-chefe da Polícia Civil de Goiás, André Vargas, a previsão é de que seja um interrogatório “longo e detalhado”. Força-tarefa do Ministério Público de Goias (MPGO) recebeu mais de 300 denúncias contra João de Deus desde o último dia 12. São relatos de abuso sexual supostamente praticados pelo médium contra brasileiras – do DF e 13 estados – e estrangeiras – de seis países. Após o escândalo vir à tona, as denunciantes passaram a ser atacadas nas redes sociais.

O inquérito instaurado pela Polícia Civil vai priorizar a elucidação desses casos, mas a corporação também se debruçará sobre possíveis práticas de fraude, extorsão e crimes correlatos que possam ter sido cometidos por João de Deus.

Precariedade e rebeliões
No início deste ano, o Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia, para onde João de Deus será levado, foi cenário de uma série de rebeliões. A primeira ocorreu em 1º de janeiro, quando presos da Ala C, da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, invadiram as alas A, B e D. A motivação dos ataques seria uma rixa entre grupos criminosos. Nove detentos morreram carbonizados. Destes, dois foram decapitados. Outros 14 ficaram feridos e mais de 80 fugiram.

Três dias depois, o segundo motim foi registrado no mesmo presídio. De acordo com a Secretaria de Segurança estadual, presos da ala C queriam novamente invadir as demais. Houve ainda a tentativa de explosão de uma granada e troca de tiros, no entanto, a situação foi contida pelas forças de segurança. No dia seguinte, os detentos da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), unidade de regime fechado, também se rebelaram. Houve troca de tiros, mas sem feridos. A Polícia Militar invadiu o local e controlou o motim.

O caos levou a então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, a vistoriar o complexo penitenciário e se reunir com a cúpula do governo estadual pouco depois. Em Aparecida, a ministra constatou problemas como instalações inadequadas, servidores em número insuficiente e superlotação, entre outros. Pouco depois das rebeliões, houve mudança na direção do presídio e presos considerados de alta periculosidade foram transferidos para outras unidades do estado. Para servidores e especialistas, respostas paliativas a um problema conhecido, ao menos, desde 2015, quando relatório da Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça goiano (TJGO) já apontava para risco iminente de rebeliões no complexo penitenciário.

Colaborou Ana Helena Paixão

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