Itamaraty nega censura a filme sobre Chico: foram apenas “sugestões”

Produtora que organiza festival de cinema no Uruguai informou que embaixada do Brasil teria vetado produção sobre o cantor e compositor

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 13/09/2019 19:39

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não confirmou – mas também não negou explicitamente – veto ao filme Chico: Artista Brasileiro, que estava na lista de produções a serem exibidas em um festival de cinema em Montevidéu, capital do Uruguai, em outubro deste ano. O diretor da obra sobre o cantor e compositor Chico Buarque, Miguel Faria Junior, disse ao jornal O Globo ter sido informado que a exibição havia sido censurada por ordem da embaixada do Brasil no país vizinho.

Em nota oficial, o Itamaraty informou que a embaixada está dando apoio ao evento e que, após receber da produção a lista de filmes brasileiros que seriam exibidos, “limitou-se a indicar sugestões”.

Confira a íntegra da nota:

“No inicío de agosto, a embaixada do Brasil em Montevidéu foi contatada pela produtora cultural Inffinito que pretendia retomar festival de cinema em conjunto com o cinema local Life organizando sua 8ª edição.
A Inffinito solicitou à embaixada uma carta de apoio para trazer a produção cinematográfica do Brasil ao Uruguai, pedido que foi atendido no dia 12/08.
A Inffinito concorreu em edital do FSA/Ancine e teve resultado positivo para captação de recursos para o festival. A Inffinito enviou à Embaixada lista preliminar de filmes que estavam sendo considerados pela curadoria do festival.  Informada sobre a lista dos filmes, a embaixada limitou-se a indicar sugestões.
A seleção dos filmes é de responsabilidade dos produtores do evento. Na divisão de tarefas, foi solicitado à embaixada que contribuísse com coquetel de abertura e divulgação do evento no Uruguai.”

De acordo com a JBM Producciones, no entanto, houve veto explícito ao filme que registra a rotina e a vida de um dos maiores nomes da música brasileira dos últimos 50 anos – e é crítico notório do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A nota do Itamaraty relata que a embaixada foi contatada pela produção do festival – que havia sido autorizada a captar recursos após vencer edital da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Informa ainda que “na divisão de tarefas, foi solicitado à embaixada que contribuísse com coquetel de abertura e divulgação do evento”.

A produção ainda não confirmou nem cancelou definitivamente a exibição do filme.

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