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Brasil

INSS suspende programa Vale+ após denúncias de cobrança indevida

Normas do INSS teriam sido descumpridas pela empresa Picpay Bank, com cobrança de taxas não autorizadas pelos beneficiários

07/05/2025 15:16, atualizado 07/05/2025 15:35
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social INSS em Brasília - Metrópoles

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiu, nesta quarta-feira (7/5), suspender imediatamente o programa Meu INSS Vale+, em razão de descumprimento das normas do instituto pela empresa PicPay Bank, com cobrança de taxas não autorizadas pelos beneficiários.

A suspensão do programa foi assinada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em caráter cautelar, ou seja, provisória e urgente, e publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta quarta.

A suspensão imediata de quaisquer descontos relacionados ao programa vale para todos os benefícios previdenciários ou assistenciais mantidos ou operacionalizados pelo INSS, ainda que lançados antes dessa decisão.

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Agora, o PicPay deverá apresentar documentos que comprovem o cumprimento das condicionantes, assegurado o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório.

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O que diz o PicPay

Procurado pelo Metrópoles, o PicPay afirmou que o produto de antecipação do benefício do INSS da instituição financeira está “integralmente aderente à regulamentação vigente e não faz qualquer cobrança indevida” e chama a denúncia de “fantasiosa”.

“O fluxo de contratação dá prioridade à modalidade gratuita via cartão, que tem, inclusive, liberação imediata do cartão virtual. Só há cobrança quando o beneficiário opta, por livre intenção, receber o valor direto na conta — para, por exemplo, usar via Pix”, diz a nota.

E completa: “A suspensão temporária do nosso produto foi motivada por denúncia fantasiosa, fruto do incômodo com uma oferta que combate o superendividamento, promove maior concorrência no setor, e é uma opção melhor do que empréstimos e operações de crédito, cheque especial ou rotativo do cartão de crédito”.

A companhia ressalta ainda que a solução não configura operação de crédito, mas sim o adiantamento de um valor ao qual o beneficiário já tem direito, isto é, um direito creditório.


Entenda


Em 28 de abril, durante reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), o representante da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ivo Mósca, adiantou que os bancos iriam pedir a suspensão da possibilidade da antecipação do valor do benefício pago aos segurados, por suspeita de irregularidades por parte de algumas instituições financeiras.

“O que a gente percebeu é que, hoje, existem pouquíssimas instituições atuando, as quais estão cobrando tarifas [de adiantamento] realmente fora de contexto dos aposentados”, disse Mósca, sem especificar quais eram essas instituições.