INSS: AGU diz que 11 mil entraram na Justiça em maio contra descontos

Números são referentes a maio de 2025, após a deflagração da operação da PF. 11 mil ações foram apresentadas à Justiça pelas vítimas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Fachada da Previdência Social e acesso digital aos serviços do INSS pelo aplicativo Meu INSS - Mertrópoles
1 de 1 Fachada da Previdência Social e acesso digital aos serviços do INSS pelo aplicativo Meu INSS - Mertrópoles - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Em busca de evitar a judicialização generalizada promovida por vítimas dos descontos indevidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou, em audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (24/6), informações sobre o aumento rápido das ações movidas por aposentados e pensionistas na Justiça.

O caso da farra dos descontos do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens que incluíram entrevistas com vítimas e ex-funcionários das entidades suspeitas, análises de dezenas de processos judiciais, consultas a inquéritos policiais e levantamento de dados do INSS obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

O advogado-geral da União, Jorge Messias, salientou que apelou ao STF porque o desejo do governo federal é que haja uma solução rápida para o caso, com entendimento e garantia dos direitos de milhões de brasileiros que foram lesados.

Com isso, Messias citou que a pasta focou em duas frentes: preservação do patrimônio público para o ressarcimento, como o bloqueio de contas bancárias de investigados; e a construção de mecanismos para ressarcir as vítimas.

“Ocorre que, enquanto estávamos organizando o processo de ressarcimento administrativo desses valores, identificamos uma litigância excessiva de inúmeras ações sendo propostas relacionadas aos descontos. O que estava ocorrendo é o manejo de várias ações com aplicação de tese e pedidos de condenação que, na avaliação da AGU, não guardam consonância nem embasamento com a própria jurisprudência da Suprema Corte, Tribunal de Justiça”, explicou Messias, justificando o pedido da ação no STF.

Na sequência, a secretária-geral de Contencioso, Isadora Cartaxo, apresentou que, em janeiro de 2024, o INSS havia sido alvo de 400 ações novas por mês em processos judiciais acerca de descontos indevidos. Já em maio deste ano, após a deflagração da operação da Polícia Federal (PF), o número chegou a 11 mil ações — um crescimento aproximado de 2.650%.

“Os números vem numa crescente significativa. Para termos uma ideia, hoje há 4 milhões de ações previdenciárias no geral perante a Justiça. [E são] Mais de 9 milhões de descontos indevidos [de vítimas lesadas na fraude]. Os números trazem nos alguns parâmetros de graus podiam chegar de judicialização. Essa judicialização tão intensa ela, naturalmente, traz efeitos adversos”, citou Isadora.

Congelamento do prazo prescricional

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli determinou o congelamento do prazo prescricional de todos os pedidos de indenização após a Advocacia-Geral da União (AGU) pedir a suspensão das ações que tramitam na Justiça sobre o tema. Ele, portanto, atendeu ao governo de maneira parcial.

O pedido do governo, que também é assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), argumenta que a medida tem o objetivo de “garantir o ressarcimento às vítimas dos descontos associativos ilegais em benefícios do INSS”. A AGU informa que, desde a revelação do escândalo, as ações judiciais a respeito dos descontos tiveram “significativo aumento no volume”.

A decisão de Toffoli acolheu parcialmente o pedido da AGU. No mesmo despacho, convocou uma audiência de conciliação com os órgãos envolvidos no processo de devolução dos recursos.

“Evidentemente que eventual solução célere e rápida de devolução dos valores a quem de direito no presente e trágico golpe que atingiu os beneficiários da previdência — ação criminosa e desumana até não mais poder — não exime em nada quem tenha agido neste crime, incidindo em tipos penais, improbidade administrativa, entre outras responsabilidades”, escreveu Toffoli.

“Para inibir a advocacia predatória, reconhecer os direitos dos cidadãos e proteger o patrimônio estatal, conferindo-se segurança jurídica para a sociedade brasileira, determino a suspensão da prescrição das pretensões indenizatórias de todos os lesados pelos atos objeto desta demanda”, completou o ministro.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?