Inpe: desmatamento sobe 4% na Amazônia e reduz 21% no Cerrado

O período analisado foi de agosto de 2024 a julho de 2025. No Pantanal, o desmatamento reduziu 72% no período verificado

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Imagem colorida de área desmatada na Amazônia em junho de 2025
1 de 1 Imagem colorida de área desmatada na Amazônia em junho de 2025 - Foto: Gino Tuesta/Getty Images

O desmatamento na Amazônia aumentou 4% nos últimos 12 meses, conforme a estatística anual divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) nesta quinta-feira (7/8). De agosto de 2024 a julho de 2025, houve 4.495 quilômetros quadrados (km²) sob alerta de desmatamento. No período anterior (agosto de 2023 a julho de 2025), foram 4.321 km² nessa condição.

Os números são apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do sistema Deter, que foi criado com o intuito de auxiliar a fiscalização para flagrar desmatamento em andamento.

O Inpe também tem outra ferramenta de monitoramento do desmatamento, chamada Prodes, que é considerada a informação mais precisa e oficial sobre a perda de vegetação. O período analisado para o desmatamento, independentemente do sistema, é de agosto do ano anterior a julho do ano seguinte. Isso acontece para que haja uma maior sincronicidade com o período de chuvas, sobretudo no bioma amazônico.

Desafio do “desmatamento zero”

Titular do MMA, Marina Silva lembrou que o Brasil assumiu um compromisso global de zerar o desmatamento até 2030. “Dentro da margem, podemos dizer que o desmatamento na Amazônia está estabilizado, mas nosso compromisso é o desmatamento zero até 2030”, afirmou.

A ministra ainda pontuou que zerar o desmatamento não será suficiente para proteger a Floresta Amazônica. “Até podemos zerar o desmatamento, mas se continuarmos com a emissão de CO2, a floresta vai perecer do mesmo jeito”, disse.

Conforme os dados divulgados nesta quinta, Rondônia registrou queda de 35% nos alertas de desmatamento, e o Pará, de 21%. Na contramão dos dois estados, esteve o Mato Grosso, com alta de 74% nos alertas. A avaliação do MMA é que os incêndios do segundo semestre de 2024 pesaram no resultado.

A temporada de incêndios florestais na Amazônia está prestes a se intensificar. Historicamente, o mês de agosto é o que tem a segunda maior média no número de queimadas. De 1º de janeiro a 6 de agosto deste ano, a Amazônia registrou 7.738 focos de calor, o que representa uma redução de 74% na comparação com o mesmo período de 2024, quando houve 30.354 queimadas, conforme os dados do Inpe.

O governo federal sustenta que, desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Conforme o MMA, do total, foram contratados 370 milhões.

Cerrado e Pantanal

O Cerrado, conforme o sistema Deter do Inpe, registrou no ano calendário (agosto de 2024 a julho de 2025) uma redução na área com alertas de desmatamento equivalente a 20,8%. O último resultado foi de 5.555 km² afetados pela devastação enquanto nos 12 meses, imediatamente anteriores, foram 7.014 km².

O Pantanal teve uma redução de 72% na área sob alerta de desmatamento no ano calendário. Em julho de 2024 o somatório de 12 meses foi de 1.148 km² e agora passou para 319 km².

Reação

O Greenpeace Brasil reconheceu o esforço e os resultados do governo federal no combate ao desmatamento nos três biomas, mas chamou a atenção para as mudanças no licenciamento ambiental no Brasil.

“Será inviável seguir reduzindo o desmatamento com uma política de licenciamento ambiental fragilizada. O presidente tem até essa sexta-feira (8/8) para vetar a decisão do Congresso, e é urgente que ele aja com firmeza’, disse a porta-voz do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.

Secretário executivo da organização não governamental Observatório do Clima, Marcio Astrini considera que, mesmo após a redução no desmatamento desde 2023, os números ainda são “inaceitáveis”.

“A derrubada da Amazônia continua ocorrendo em patamares inaceitáveis, levando a floresta a um ponto de colapso. O Brasil pode e deve alcançar desmatamento zero, apesar das muitas forças que sabotam esse objetivo e a agenda ambiental, no Congresso ou no próprio governo.”

“PL da devastação”

As preocupações quanto ao licenciamento ambiental no Brasil dizem respeito à aprovação, no Congresso Nacional, do PL 2159/2021. O projeto foi apelidado como “PL da devastação” e está nas mãos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe do Executivo Federal tem até esta sexta para sancionar ou vetar o texto.

O “PL da devastação” é amplamente criticado por instituições de pesquisa e de defesa do meio ambiente por afrouxar as regras para o procedimento no país. Há o entendimento que a situação vai piorar com as novas regras. Ainda no radar das ameaças à Amazônia, estão estradas, como a BR-319, que é vista como um forte vetor de desmatamento. Ela poderia ser até dispensada de licença, caso não haja o veto por parte de Lula ao referido PL.

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